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quarta-feira, janeiro 21

Cusquices do Ofício

De passagem pelo cusquices só para deixar uma música e partilhar algumas das respostas à questão “O que entende por processos de socialização?”, inserida numa avaliação de diagnóstico de um grupo de formação.
Aqui vão elas:

1. Socialização e um processo que se vai indo contituido por pessoas da socialidade da vida.

2. Nos postos medicos nas reuniões das escolas

3. São pessoas que fazem sociedade em grupo


4. saber, estar, conversar, respeitar, ajudar partilhar não discriminar não entrar em conflitos no trabalho em casa com a fámilia no grupo em todos os locais públicos ser bem educado participar.

Digam lá, tenho, pelo menos, 4 boas razões para estar animadíssima, não?

quarta-feira, dezembro 24

Trabalho

do latim tripaliari, torturar



Robin - Putz olha só! é a batgirl pintando na área
Batman - Desamarre-nos antes que seja tarde demais…
Batgirl - Já é tarde demais. Estive trabalhando para você por muito tempo e ganho menos que o Robin
Robin - Putz! está insatisfeita!
Batgirl - Mesmo serviço, mesmo empregador, significa pagamento igual para homens e MULHERES!
Batman - Não temos tempo pra piadas, Batgirl!
Batgirl - Isso não é uma piada!
Robin - Holy Act of Congress!
Batman - nós conversaremos sobre isso depois…
e batgirl salvou a dupla dinâmica…

via Síndrome de Estocolmo

sexta-feira, outubro 31

Ausências*

Estudar, teorizar, investigar, fazer acções de rua, participar em conferências, debater, estar em tertúlias, apresentar comunicações, preparar comunicações, dar formação e ter as "questões feministas" subjacentes, desmistificar conceitos, questionar estereótipos.
Fazer os feminismos, assim, é de um gozo e desafio tremendos, com impactos visíveis, é certo. Mas tudo se redimensiona quando comparado com uma mulher "crescer", gostar mais de si ou chorar porque se descobre; tudo se reconfigura quando comparado com mulheres vítimas de violência doméstica a dizerem que se sentiram, ali, serenas.
Porque as cusquices se vão fazendo na rua, em aldeolas esquecidas, com mulheres esquecidas de si entre imensidões de filhos, maridos violentos ou ausentes, trabalhos dobrados, mas nem por isso pagos, ou entre palavras que não sabem escrever, os dias tornam-se impostáveis. No além virtual, sugam-se as palavras.
Sobra silêncio.
*ou retornos

domingo, outubro 5

40% das mulheres são assediadas no trabalho

Joana Bastos e Sílvia Maia, IOL Diário

Mas são assediadas porque querem! Que não vistam saias curtas; que não vistam saias justas; que não vistam saias largas; que não usem decote; que não sorriam; que não falem; que não balancem as ancas a caminhar; que não se maquilhem; que não digam bom dia; que não mexam sensualmente nos cabelos; que não tenham cabelo, de todo; que não usem salto alto; que nunca usem vermelho – cuidado com o touro; que não pensem. Que não existam, simplesmente, ou que a sua existência seja meramente pautada pelos desejos, vontades e pensamentos dos coitadinhos que "não são de ferro". Estas gajas... olha lembrarem-se de serem pessoas, com dignidade e vontade própria... e acharem que todas as outras pessoas também são assim... depois, claro, acordam os chefes (ou partes dos chefes que o cérebro continua adormecido). Esses sim, as verdadeiras vítimas! Coitadinhos.

sábado, dezembro 15

Homens recusam admitir que menores salários se devam a preconceitos

Um quarto das mulheres portuguesas diz-se discriminada em matéria salarial. A conclusão faz parte de um inquérito baseado numa amostra de 1020 entrevistas, coordenado por Glória Rebelo, do centro de estudo Dinamia, do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), encomendado pela União Geral dos Trabalhadores (UGT).

Segundo os números apresentados (...) 24,1% das mulheres sentem-se discriminadas nos salários. Do lado dos homens, apenas 8,3% se queixam de ser prejudicados neste domínio.

Um dos aspectos mais curiosos do estudo prende-se com a forma como mulheres e homens justificam a discriminação salarial daquelas. É ponto assente que elas ganham menos e têm menos peso nas posições de chefia - "58% dos inquiridos reconhecem que os cargos directivos são sobretudo ocupados por homens". Porém, enquanto a maioria das mulheres atribui o facto aos "estereótipos associados às mulheres", os homens encontram explicações nas "insuficiências de qualificação",

[quantas mulheres há mesmo com o (e no) ensino superior?]

"menor capacidade para o trabalho" ou ainda "menor disponibilidade das mulheres para o trabalho".

[Quantas mulheres há mesmo que trabalham, em média, mais duas horas diárias do que os seus companheiros?]

Enquanto 69,4% das mulheres atribuem a dificuldade no acesso ao emprego a "resistências relacionadas com estereótipos de género", esta percentagem desce para zero entre os homens.

"A reacção dos homens só confirma que existe estereotipia, que se caracteriza precisamente pela falta de consciência das discriminações", disse ao DN Glória Rebelo.
(...)

Manuel Esteves

terça-feira, setembro 11

sábado, julho 14

Porque há quem confunda lutas antigas com lutas obsoletas...

..aqui fica um pequeno exemplo de como o feminismo continua a fazer sentido.

Cortiça mantém contrato de trabalho que discrimina mulheres
"Todas as mulheres corticeiras são discriminadas." Maria José Pereira de 40 anos, há 23 a escolher rolhas, é uma das operárias que ontem se juntaram à manifestação à porta da Associação Portuguesa de Cortiça em Santa Maria de Lamas, Feira. O Sindicato dos Operários Corticeiros do Norte programou uma vigília de 14 horas pelo fim à discriminação salarial e por um aumento de salários de 31,32 euros para os homens e de 40 para as mulheres. "Há casais que fazem exactamente o mesmo serviço. Ele ganha 626,5 euros, ela 527,5", explica Alírio Martins, coordenador da estrutura sindical.

(...) "As mulheres têm de ter um valor diferente, caso contrário, o fosso salarial aumenta", (...). "É uma batalha muito antiga. Muito se tem falado do Ano Europeu de Igualdade de Oportunidades para Todos e, por isso, mais do que nunca não se justifica que isto aconteça." (...) Vamos lutar até conseguir acabar com essa discriminação.""No sector da cortiça há o feminino e o masculino e é preciso acabar com essa diferença", defende Alírio Martins. O contrato colectivo de trabalho prevê que homens e mulheres sejam colocados em grupos diferentes, a exercerem as mesmas funções e com salários distintos. "No momento em que Portugal assume a presidência da União Europeia, parece-nos lógico e oportuno exigir que as mulheres ganhem o mesmo." (...) No sector do calçado, a diferença salarial entre homens e mulheres não é permitida no contrato colectivo de trabalho. No entanto, há casos detectados. Ainda há pouco tempo, havia uma diferença entre os salários de encarregados homens e mulheres na indústria do calçado. Situação que ficou resolvida no ano passado, na última renegociação do contrato colectivo de trabalho.


Sara Dias Oliveira
Jornal Público

segunda-feira, abril 23

Chafurdando em estatísticas...

... descubro que se a situação da mulher no mercado de trabalho pudesse figurar num quadro, a pintura não seria difícil. Bastava tinta preta. É que o cenário é sombrio:

Temos mais dificuldade em arranjar emprego - muito embora existam mais mulheres habilitadas (licenciaturas e mestrados).

Quando conseguimos emprego, recebemos menos que um homem, em tarefa igual.

Depois, se há alguém que tem de abandonar o emprego(-num-palheiro), para cuidar dos filhos, esse alguém é normalmente a mulher.

Permanecemos circunscritas a actividades normalmente desenvolvidas por mulheres (área administrativa; profissões intelectuais e científicas; serviços e vendas).

E os cargos de chefia continuam a ser-nos barrados - por um tecto de vidro.

Já para não falar que continuamos a acumular o trabalho com as actividades domésticas... e que elas não são remuneradas...

Mas que isto não soe a vitimação. As estatísticas servem, na minha visão, para reconhecermos a posição que ocupamos; o papel (escrito por outros) que desempenhamos. Serve, acho e espero, para reescrevermos esse papel.

E servem também - pronto, confesso - como desculpa para, de vez em quando, linkar coisas interessantes. Como - deixa lá ver... assim de repente... já sei! -um artigo do expresso emprego. Passem lá. E aproveitem para ver outros artigos relacionados com mulheres no trabalho.


Por aqui, havemos de voltar ao tema!

Imagem: Helena Almeida