sexta-feira, outubro 31
terça-feira, setembro 16
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Adenda:
Tenho de confessar o meu lado conservador. Há clássicos que, como uma interrupção da cadeia, queremos manter:
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9/16/2008
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Marcador: A Bela Acordada, Histórias para não adormecer, Tradição já não é o que era
segunda-feira, agosto 25
Absolutamente outro
(...) No seu último livro afirma que o amor romântico tem os dias contados. Porquê?
Quando é que chegou a essa conclusão?
Então os solteiros são mais felizes?
Como define "mal casados"?
Então, com o fim do amor romântico, as pessoas vão passar a fazer sexo de ocasião?
As pessoas casadas são na sua maioria infelizes?
Há quem diga que são banalidades. Mas por mais comum que seja, é-o sempre menos que outras banalidades: precisamente as do amor romântico. Essas preenchem prateleiras das livrarias, salas de cinema, músicas e histórias para adormecer. É, por isso, sempre bom ler sobre modelos alternativos que ora não sabemos que existem, ora tudo à volta faz questão de dizer que não devem existir. Depois de rever a Ally McBeal - no seu incurável romantismo - sabe bem voltar à realidade.
Imagem: "Snow White swallows the poison", Paula Rego
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8/25/2008
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Marcador: A Bela Acordada, Feminismo para quê?, Histórias para não adormecer, relações
quarta-feira, agosto 6
Cinderella on Fire
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8/06/2008
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Marcador: A Bela Acordada, Histórias para não adormecer, LGBT
terça-feira, maio 13
"UMAR-te assim perdidamente" ou... a Caminho do Congresso feminista 2008
12 de Maio_Pulsos de Ferro
Hoje, a luta não é apenas pela conquista, mas também pela conservação dos nossos direitos
Na convicção que o conhecimento da historiografia é um trajecto emancipatório, o ciclo de cinema “UMAR-te assim perdidamente” inaugurou sete dias de fimes e debates com a exibição de “Pulsos de Ferro” (Iron Jewad Angels, de Katja von Garnier) que retrata a luta das sufragistas norte-americanas pelo direito ao voto.
Focando-se na forma como as activistas Alice Paul e Lucy Burns desafiaram as fronteiras políticas -criando uma ala radical que as demarcaria do restante movimento sufragista -“Pulsos de Ferro” culmina com a conquista do direito ao voto em 1920.
Fazendo a ponte com a situação vivida em Portugal, durante o Estado Novo e imediatamente a seguir à revolução de Abril, Irene Pimentel e Fina d’Armada conduziram, num tom intimista e informal, a viagem pela história, cruzando questões de desigualdade social, económica e política dos sexos.
A história foi mote para pensar e debater os movimentos sociais e a situação presente de muitas mulheres, sublinhando-se a forma como a desigualdade entre mulheres e homens é hoje sub-repticiamente mantida e reforçada.
Porque o tema foi também a difícil gestão do tempo ou a dupla jornada de trabalho a que muitas mulheres estão sujeitas -e porque a noite ia longa- a conversa terminou na certeza de que uma luta, por ser antiga, não se pode dizer obsoleta.
(clicar na imagem para aumentar)
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5/13/2008
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segunda-feira, abril 14
Elas gostam é dos que as tratam mal
No café, às 9h da manhã, numa vila perto do Porto:
- Home qué de manteiga derrete!
- Coitadinho…
- É assim. Ai é assim: todos os homens que as põe num pedestal elas põe-nos a andar. Ai é assim!
- Coitadinho…
- Faz tudo o quelas quer, depois derrete!
- Coitadinho…
- Eles num tinham filhos. Ele dependia dela pra tudo! “Ai que eu preciso emagrecer” e lá vinha a mulher fazê-lo emagrecer…
- Coitadinho…
- A dizer marabilhas dela; que é muito boa nisto e que gostum muito daquilo e mais aqueloutro… na! Depois elas deixum-nos, claro! até pensei pr’a mim “o meu home num debe gostar nem um esquinho de mim nem nada!”
Terceira pessoa: ah, não se preocupe mulher queles dizem; dizem, dizem! Só que não é à nossa frente.
- Pois, mas o problema tá aí! Ele dizia isso tudo à frente dela! Trataba-na bem demais. Era… bem demais!
Terceira pessoa: Olhe, mais vale ser muito bom para ela e ela deixá-lo que andar a tratá-la mal e ela deixá-lo. Assim só sofre um.
- Coitadinho… Mas ao menos tem uma razão!
- Nem tanto ao mar nem tanto à terra!
- Coitadinho…
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4/14/2008
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segunda-feira, outubro 8
Histórias para não adormecer (2)

(…) Ficaram conhecidas como Amazonas, um nome que significa “aquela que sofreu ablação do seio”. Era seu costume, mediante uma técnica conhecida apenas por esta raça de mulheres, que a mais nobre delas tivesse o seio esquerdo removido pelo fogo, de modo a permitir-lhes transportar um escudo. Todas as raparigas que não tivessem nascimento nobre perderiam o seio direito para mais facilmente usarem o arco.
(…) Foram tão bem sucedidas que conquistaram grande parte da Europa e a região da Ásia, subjugando muitos reinos ao seu domínio.
Christine de Pisan
in A Cidade das Mulheres
Christine de Pisan: Considerada a primeira mulher escritora profissional da Europa; Primeira escritora a defender os direitos das mulheres.
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10/08/2007
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quarta-feira, maio 30
Histórias para não adormecer
Era uma vez o Príncipe que tinha dormido com a Gata Borralheira. Durante o baile no palácio apeteceu a ambos deixar de dançar e ir para a cama um com o outro. E foram. Mas, à meia-noite, a Gata Borralheira saiu a correr da cama do Príncipe e esqueceu-se do soutien atrás de si.
O Príncipe não gostava do seu antepassado que tinha obrigado todas as mulheres do principado a descalçar o pé direito ou o esquerdo. O Príncipe não se lembrava ou a história era omissa quanto a ser o pé esquerdo ou o pé direito. Achava uma atitude grosseira, arrogante, pornográfica, de mau gosto.
Então o Príncipe para encontrar a gata borralheira não obrigou todas as mulheres do principado a despirem-se diante dele e a calçar o soutien. Meteu o soutien na gaveta das recordações e decidiu fazer amor com todas, uma por uma, velhas e novas, feias e bonitas, aleijadas e não aleijadas. E foi fazendo.
Quando fez amor com a madrasta e com as duas filhas da madrasta, sentiu-se mal. Jurou para nunca mais. Porque as três eram pelintras, chupistas, feias e fidalgas. E isso tudo traduzia-se no calculismo e no fingimento com que faziam amor. O Príncipe chegou a pensar que em vez de pénis tinha um godemichet implantado no baixo ventre de tal modo a madrasta e as três filhas da madrasta o usaram e se serviram dele. Agoniado depois de fazer amor com as três, foi à casa de banho vomitar.
Na casa de banho vomitou. E encontrou a Gata Borralheira a limpar a retrete. Como o Príncipe não foi a tempo de vomitar na retrete, vomitou no chão. A Gata Borralheira limpou o vomitado sem enjoos. Porque o Príncipe e a Gata Borralheira tinham-se reconhecido mutuamente imediatamente. Não foi preciso fazerem amor porque a cumplicidade que os unia era evidente para ambos aos olhos e ao sorriso de ambos.
O Príncipe levou a Gata Borralheira imediatamente para o palácio montados ambos num mesmo cavalo branco. E a madrasta e as duas irmãs suas filhas e irmãs de Gata Borralheira ficaram por entre os vidros e as cortinas danadas e furiosas e sem perceberem nada porque eram as três tão burras que nunca percebiam nada de nada.
O soutien voltou a ser usado algumas vezes pela Gata Borralheira porque a Gata Borralheira era poupada, percebia muito de afrodisíacos e era tão fetichista como o Príncipe.
Adília Lopes
“A Bela Acordada”
in Obra, Edições Mariposa Azul
imagem: Ray Caesar
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5/30/2007
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