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segunda-feira, agosto 25


Começar, assim, não por um continente, por um país ou por uma casa, mas pela geografia mais próxima – o corpo.

Adrienne Rich

domingo, agosto 17

Cuscas, parece que vamos ter de emprestar os óculos e o chapéu do "cusquices"

A famigerada reportagem, na gingko, sobre homens feministas, da Isabel Freire, já circula pela internet - serviço público prestado pelo womenage a trois. É só conferir aqui. De cartaz na mão a dizer "ele é meu amigo", adivinho-me quase tão orgulhosa quanto uma certa cusca. Só falta mesmo a fotografia a confirmar as publicitadas poses sensuais.

Pv- pró-feminista é uma boa forma de dizer sem dizer, não sr. PF?
Ps - pv = provocação (ou será pró-vocação?! ;)
Pps - Particular identificação com as escolhas do João. Será que numa outra galáxia terei acesso ao Testo Yonki?

terça-feira, maio 13

"UMAR-te assim perdidamente" ou... a Caminho do Congresso feminista 2008

12 de Maio_Pulsos de Ferro

Hoje, a luta não é apenas pela conquista, mas também pela conservação dos nossos direitos

Na convicção que o conhecimento da historiografia é um trajecto emancipatório, o ciclo de cinema “UMAR-te assim perdidamente” inaugurou sete dias de fimes e debates com a exibição de “Pulsos de Ferro” (Iron Jewad Angels, de Katja von Garnier) que retrata a luta das sufragistas norte-americanas pelo direito ao voto.

Focando-se na forma como as activistas Alice Paul e Lucy Burns desafiaram as fronteiras políticas -criando uma ala radical que as demarcaria do restante movimento sufragista -“Pulsos de Ferro” culmina com a conquista do direito ao voto em 1920.

Fazendo a ponte com a situação vivida em Portugal, durante o Estado Novo e imediatamente a seguir à revolução de Abril, Irene Pimentel e Fina d’Armada conduziram, num tom intimista e informal, a viagem pela história, cruzando questões de desigualdade social, económica e política dos sexos.

A história foi mote para pensar e debater os movimentos sociais e a situação presente de muitas mulheres, sublinhando-se a forma como a desigualdade entre mulheres e homens é hoje sub-repticiamente mantida e reforçada.

Porque o tema foi também a difícil gestão do tempo ou a dupla jornada de trabalho a que muitas mulheres estão sujeitas -e porque a noite ia longa- a conversa terminou na certeza de que uma luta, por ser antiga, não se pode dizer obsoleta.

(clicar na imagem para aumentar)

sexta-feira, junho 22

Tesourinhos nada deprimentes

Minhas queridas cuscas, vejam só as relíquias que encontrei pela net...

São obras-chave da/na história dos feminismos à distância de um clique. Só!

Memórias da Trangressão - Gloria Steinam






Pronto, pronto... já chega de agradecimentos.

segunda-feira, junho 11

Para ver. Em todos os sentidos.

“tomada de consciência individual ou colectiva da opressão específica das mulheres, acompanhada da vontade de instaurar a igualdade dos sexos em determinados ou em todos os domínios, a médio ou a longo prazo”
Florence Rochefort, Laurence Klejman

Este fim-de-semana, discutia-se acesamente o rótulo – feminista; que designar-se assim era dizer-se que se concordava com toda a tradição feminista. Confesso que foi um “coming out” tortuoso, o meu – ah! até aceitar que dissessem ou dizer eu que era feminista… a certa altura, percebi que o meu receio era mais cobardia e “cuspir no prato que se come”.

Cobardia porque é muito mais confortável ser-se feminista e não usar o “rótulo” (não temos de nos ver associadas aos estereótipos comuns – só ficamos com a parte “boa”). Por outro lado – o com mais peso – sentia que ao mostrar algum tipo de desconforto com o “engavetamento” – apesar de já lá estar - era dizer a todas as mulheres que lutaram (e lutam) pelo que hoje temos que estamos muito agradecidas e tal mas que não somos como elas, nem queremos ser. É óbvio que não concordo com todos os feminismos, não assinaria o manifesto SCUM, por exemplo, nem defenderia uma igualdade pela aproximação ao comportamento masculino. A questão é que essas “correntes” não deixam de encaixar na definição ali em cima. Fazem-no pela consciência de opressão e pela vontade de a anular.

Compreendo os receios, acabei de confessar os meus, e por isso devia ser mais tolerante, mas a verdade é que sinto o “defendo a igualdade de direitos e deveres entre homens e mulheres, luto por isso no meu dia a dia, mas não; não sou feminista” como uma facada.

Ao ver o filme Votes for Women que é excelente retrato das (diferentes, mas imprescindíveis, posições de associações) sufragistas americanas e o longo percurso até conseguirem o voto no feminino, tive a perfeita noção do quão ingrata estava a ser – e todas as pessoas que são feministas mas não o assumem.

É que é diferente ler-se a história escrita - os percursos racionalizados em frases – e ver o pormenor; as dificuldades SENTIDAS (não só contadas com o distanciamento que sempre se tem). É diferente contarem-nos que muitas sufragistas foram presas, durante as suas lutas, e VER (ainda que em filme) como eram tratadas na prisão; como eram espancadas, torturadas, manipuladas, etiquetadas como mentalmente insanas (“a coragem num homem é loucura nas mulheres”) - tudo pelo direito das mulheres votarem.

E fiquei com vontade de dizer a todas/todos os que defendem o feminismo mas recusam o rótulo, para verem o filme. Para verem o injusto que é essa posição fraca – e no filme vê-se bem isso na personagem Emily Leighton (“pessoas assim são piores que os anti-sufragistas”, dizia-lhe Alice Paul).

E serve também, para mim, para quem passa a vida a tentar desvalorizar todo o feminismo. Se hoje não vêm a necessidade de o “adoptar” – isso daria muitos outros posts – pelo menos, que se faça a devida vénia ao que foi. E se acabe com a cegueira, pelo menos quanto ao passado.

Votes for women

Realizadora: Katja von Garnier

Partes do filme podem ser vistas aqui

segunda-feira, maio 14

Anos 70 - Sexos (1ª parte)

O vídeo é um fragmento do documentário franco-alemão "Anos 70 - Sexos", onde são abordados temas como o aborto, movimento SCUM, papéis de género, etc. Tem imagens de jornais da época, excerto de uma entrevista a Simone Veil, imagens de manifestações, noticiários… E são apenas 6 minutos.


A segunda parte do documentário, que aborda sobretudo a androginia (na música) e as reivindicações sexuais (direitos dos/das homossexuais), pode ser vista aqui.

terça-feira, março 6

Faltam dois dias

Porquê 8 de Março como “Dia Internacional da Mulher”?

  • No dia 8 de Março de 1857, operárias de uma fábrica têxtil de Nova Iorque entraram em greve. Ocuparam a fábrica para reivindicar melhores condições de trabalho, como a redução na carga diária de trabalho para 10 horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), a equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e o tratamento digno no ambiente de trabalho.

    Esta manifestação foi reprimida com total violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica que foi incendiada. Aproximadamente 130 mulheres morreram queimadas.

    Em 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de Março passaria a ser o "Dia Internacional da Mulher" (data que viria a ser oficializada pela ONU em 1975), em homenagem às tecelãs que morreram na fábrica em 1857.


Este é o verdadeiro significado do 8 de Março. Não é para “lembrar” que existem mulheres nem tratá-las com especial atenção, oferecendo-lhes presentes. É o dia em que se chama a atenção para as situações de discriminação a que somos sujeitas diariamente, só porque somos mulheres.

É o dia em que, por todo o mundo, se realizam debates, reuniões, conferências com o objectivo de chamar a atenção para o papel e a dignidade da mulher e de contestar e rever preconceitos e limitações que nos vêm sendo impostos.

Por isso, queridas cuscas, deixemos de parte os usuais comentários de desvalorização deste dia. Lembremos e homenageemos a luta destas mulheres pela igualdade! E lembremos, neste dia (todos os dias) que, apesar dos avanços, essa luta ainda faz sentido.

Adenda: participem na blogaguem colectiva, a propósito do Dia da Mulher, sugerida aqui