domingo, março 15
terça-feira, janeiro 27
Porque o cusquices tem (des)continuidade assegurada,
Hope II, Klimt
(...)
Mãe! Ata as tuas mãos às minhas e dá um nó-cego muito apertado!
Eu quero ser qualquer coisa da nossa casa.
Eu também quero ter um feitio, um feitio que sirva exactamente para a nossa casa, como a mesa. Como a mesa.
Mãe! Passa a tua mão pela minha cabeça!
Quando passas a tua mão na minha cabeça é tudo tão verdade!
Almada Negreiros
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1/27/2009
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Marcador: Maternidade, Poesia, Pura cusquice
segunda-feira, dezembro 1
As danças da noite
As danças da noite
Um sorriso caiu na relva.
Irrecuperavelemente!
E como irão perder-se
As tuas danças nocturnas. Na matemática?
Tão puros saltos e espirais -
Certamente viajam
Eternamente pelo mundo, não hei-de ficar
Despida de belezas, o dom
Do teu pequeno sopro, o cheiro
A terra molhada, lírios, lírios.
A sua carne não aguenta aproximações.
Frios vincos de um ego, o narciso,
E o tigre que se embeleza a si próprio -
Sinais e uma chuva de pétalas de fogo.
Os cometas
Têm um espaço tão grande a atravessar,
Tanta frieza, esquecimento,
Assim se esfumam teus gestos -
Calorosos e humanos, depois a sua luz rosa
A sangrar e a pelar
Entre as negras amnésias do céu.
Por que me dão
Estas luzes, estes planetas
Caindo como bençãos, como línguas de luz
De seis pontas, brancas
Nos meus olhos, lábios, cabelo
Ao tocarem desfazem-se.
Em lugar nenhum.
Sylvia Plath, Ariel
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12/01/2008
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Marcador: Poesia, Sylvia Plath
segunda-feira, agosto 25
Começar, assim, não por um continente, por um país ou por uma casa, mas pela geografia mais próxima – o corpo.
Adrienne Rich
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8/25/2008
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Marcador: Adrienne Rich, LGBT, Marcas/os Feministas, Poesia
sexta-feira, agosto 15
A voz cada vez menos secreta
(Série "Fervor, Shirin Neshat)
Em segredo ardo, em segredo choro
Sou a mulher pashtun que não pode revelar o seu amor
Mas deixa a minha língua livre para te falar de amor
Apanha lenha, acende uma grande fogueira!
É meu costume entregar-me em plena luz
-
De boa vontade te daria a minha boca
Mas porquê sacudir o cântaro? Já estou toda molhada
-
Primeiro, toma-me em teus braços, aperta-me
Só depois poderás ligar-te às minhas coxas de veludo
-
Que Deus te proíba todo o prazer em viagem
Já que me deixaste adormecida, insatisfeita
-
O meu amante quer ter a minha língua na sua boca
Não pelo prazer, mas para afirmar os seus direitos sobre mim
Irmãs, atai os vossos véus à cintura
Pegai em armas e ide para o campo de batalha
-
À meia-noite a lembrança de ti é a única visita
Que me atormenta e não me deixa dormir
-
O meu amante é hindu e eu maometana
Em nome do amor, varro os degraus do templo interdito
-
Se dormes, só terás poeira
Eu pertenço aos que, por mim, não dormem a noite inteira
-
O meu amor prefere as flores sensatas dos jardins
Mas eu, tulipa selvagem, desfolho-me na planície sem fim
-
Olhai do esposo a horrível tirania:
Bate-me e proíbe-me de chorar
*Majrouh, Sayd Bahodine (2005) A voz secreta das mulheres afegãs. O suicídio e o canto. Lisboa: Cavalo de Ferro (tradução portuguesa de Ana Hatherly).
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8/15/2008
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Marcador: Conversa de Mulheres, Feminismos do Sul, Poesia
sexta-feira, junho 6
Só boas notícias
- O primeiro doutoramento em Estudos Feministas em Portugal arranca em Setembro na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC), revelou hoje à agência Lusa a coordenadora executiva do programa.
(...) As candidaturas começaram segunda-feira e decorrem até 25 de Julho, segundo o sítio na Internet, disponível em http://www1.ci.uc.pt/geaa/ ...
- O Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores (APE) foi atribuído ao livro "Entre dois rios e outras noites", de Ana Luísa Amaral. ...
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6/06/2008
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Marcador: Estudos Feministas; Sobre as Mulheres e de Género, Poesia
quarta-feira, maio 21
a tongue of (no) one's own
...
...
Nourbese
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5/21/2008
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Marcador: Escrita (d)e Mulheres, Mulheres contra Mulheres, Poesia
quarta-feira, março 26
Gramáticas do Olhar
Cruzar olhares será tarefa fácil,
mas não trocar de olhar;
Em foco: um outro ponto, do avesso,
em avesso: outra luz
outra paisagem
como de um outro azul,
um brilho outro,
um céu rasgado a nuvens
de outra cor
Cruzar olhares será tarefa breve,
trocar de olhar: uma forma de pôr
um palco de deserto, antes miragem:
agora uma viagem
sem regresso
- que a troca: irreversível:
uma forma de excesso devolvido
ao espaço inabitado
por igual
cruzar olhares: uma tarefa curta
(A outra:
a mais gramatical
forma de amar)
Ana Luísa Amaral
a partir da poesia de Ana Luísa Amaral
está em cena o espectáculo "O Olhar diagonal das coisas"
Biblioteca Municipal Florbela Espanca, Matosinhos
28, 29 e 30 de Março de 2008, 21h 30
Entrada Livre
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3/26/2008
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Marcador: Agenda, Ana Luisa Amaral, Poesia
sexta-feira, junho 22
Eis-nos
Eis-nos de luta
expostas
sem vencer os dias
as verilhas
certas
no passo retomado
o rever das casas e das causas
o revolver das coisas
que dormiam
Diária é a escolha
o movimento insano
o sossego manso e mais pesado
daquilo que desperta e não quebramos
daquilo que rasgamos
e dobramos
carta por carta em seu perfil exacto
Fêmeas somos
fiéis à nossa imagem
oposição sedenta que vestimos
mulheres pois sem procurar vantagem
mas certas bem dos homens que cobrimos
E jamais caça
seremos
ou objecto
dado
nem voluntário odor
de bosque seco
vidro dizemos
pedra
caminhada
em se chegar a nós
de barca
ou vento
Remota viração que se reparte
esta que usamos em cumprir
sustento
de pressuposta amarra
em que ficamos
apartadas dos outros
e tão perto
Maria Isabel Barreno
Maria Teresa Horta
Maria Velho da Costa
in Novas Cartas Portuguesas
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6/22/2007
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Marcador: Escrita (d)e Mulheres, Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta, Maria Velho da Costa, Novas Cartas Portuguesas, Poesia
terça-feira, junho 12
Mulher Dobrada
A mulher
que não canta
entretanto
cantá-la-emos
A sua mesa
quando utiliza
a fome
em forma de utensílio
ou de produto
sobre o tampo
À falta de uso
a voz
como o palato
alastra
Só uma mulher
a que cantamos
soa
Cantemos
por a tolher
o pranto
dobrada
sobre o tampo
que a magoa.
Fiama Hasse Pais Brandão
in Nome Lírico
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6/12/2007
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Marcador: Escrita (d)e Mulheres, Fiama Hasse Pais Brandão, Poesia
quarta-feira, fevereiro 14
AMAR!!
Amar
Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente
Amar! Amar! E não amar ninguém!
Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!
Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!
E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...
Florbela Espanca
Porque ouvi;
Porque li;
Porque foi mulher que sentiu e escreveu;
Porque é lindo e eu gostei!!
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2/14/2007
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Marcador: Florbela Espanca, Poesia




