Mostrar mensagens com a etiqueta Citações. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Citações. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, abril 1

Golpe de pena: women sribbling

Es preciso que la mujer se escriba: que la mujer escriba de la mujer y haga venir las mujeres a la escritura, de la que han sido alejadas violentamente como también lo han sido de sus corpos; por las mismas razones, por la misma ley, con la misma finalidad mortal. La mujer tiene que ponerse al texto -como al mundo y la historia-, con su propio movimiento.

Hélène Cixous

quarta-feira, março 12

The Death of the Moth

"(...) while I was writing this review, I discovered that if I were going to review books I should need to do battle with a certain phantom. And the phantom was a woman, and when I came to know her better I called her after the heroine of a famous poem, The Angel in the House. It was she who used to come between me and my paper when I was writing reviews. It was she who bothered me and wasted my time and so tormented me that at last I killed her. (...) She was intensely sympathetic. She was immensely charming. She was utterly unselfish. She excelled in the difficult arts of family life. She sacrificed herself daily. If there was chicken, she took the leg; if there was a draught she sat in it—in short she was so constituted that she never had a mind or a wish of her own, but preferred to sympathize always with the minds and wishes of others. Above all—I need not say it—she was pure. (...)


And when I came to write I encountered her with the very first words. The shadow of her wings fell on my page; I heard the rustling of her skirts in the room. Directly, that is to say, I took my pen in my hand to review that novel by a famous man, she slipped behind me and whispered: “My dear, you are a young woman. You are writing about a book that has been written by a man. Be sympathetic; be tender; flatter; deceive; use all the arts and wiles of our sex. Never let anybody guess that you have a mind of your own. Above all, be pure.” And she made as if to guide my pen. (...) I turned upon her and caught her by the throat. I did my best to kill her. My excuse, if I were to be had up in a court of law, would be that I acted in self–defence. Had I not killed her she would have killed me. She would have plucked the heart out of my writing. For, as I found, directly I put pen to paper, you cannot review even a novel without having a mind of your own, without expressing what you think to be the truth about human relations, morality, sex. And all these questions, according to the Angel of the House, cannot be dealt with freely and openly by women; they must charm, they must conciliate, they must—to put it bluntly—tell lies if they are to succeed. Thus, whenever I felt the shadow of her wing or the radiance of her halo upon my page, I took up the inkpot and flung it at her. She died hard. Her fictitious nature was of great assistance to her. It is far harder to kill a phantom than a reality. She was always creeping back when I thought I had despatched her. (...) But it was a real experience; it was an experience that was bound to befall all women writers (...). Killing the Angel in the House was [is?] part of the occupation of a woman writer.

Virginia Woolf
"Professions for women", in Women and writing

Imagem: Shirin Neshat

segunda-feira, outubro 8

Histórias para não adormecer (2)

Há um país, próximo da Europa (…) chamado Scythie ou terra dos Scythes. Aconteceu que, no decurso de uma guerra, todos os homens deste país pereceram. Quando as mulheres souberam, (…) encheram-se de coragem e convocaram um conselho de mulheres, resolvendo que, doravante, elas mesmas liderariam o país, livres do controlo dos homens. Emitiram um édito que proibia a entrada de qualquer homem no seu território, mas decidiram que, de forma a assegurar a sobrevivência da raça, iriam acasalar aos países vizinhos (…). Se dessem à luz um rapaz, este seria enviado para viver com o pai, mas raparigas criá-las-iam. (…) Em seguida, todas elas, mulheres e jovens, pegaram em armas, formaram batalhões e declararam guerra aos seus inimigos (…). Ninguém conseguia resistir-lhes, (…) vingaram bastante bem a morte dos seus maridos.



(…) Ficaram conhecidas como Amazonas, um nome que significa “aquela que sofreu ablação do seio”. Era seu costume, mediante uma técnica conhecida apenas por esta raça de mulheres, que a mais nobre delas tivesse o seio esquerdo removido pelo fogo, de modo a permitir-lhes transportar um escudo. Todas as raparigas que não tivessem nascimento nobre perderiam o seio direito para mais facilmente usarem o arco.

(…) Foram tão bem sucedidas que conquistaram grande parte da Europa e a região da Ásia, subjugando muitos reinos ao seu domínio.


Christine de Pisan
in A Cidade das Mulheres



Christine de Pisan
: Considerada a primeira mulher escritora profissional da Europa; Primeira escritora a defender os direitos das mulheres.

segunda-feira, outubro 1

Reflexões

«Uma etapa da sua vida terminara e uma outra se abria, uma verdade descoberta com o corpo, à medida do seu corpo despido de mitos, cumprido, experimentado, só de experiência e de verdade feito - a força que havia no amor, numa relação de solidariedade e não de supremacia nem domínio, as pessoas reciprocamente apoiando-se, trabalhando juntas para um mesmo fim. Um outro universo, um outro imaginário. Nada mais me sufoca nem bloqueia, podem contar comigo para ajudar a construir o mundo - a casa aberta aos outros, um lugar de encontro, de troca, de discussão, de refúgio, de permuta, sempre alguém chegando, sempre uma roda de amigos debaixo dos guarda-sóis, trabalhando, trazendo num tabuleiro chávenas de café e uma cafeteira fumegante, sempre alguém utilizando a garagem como um atelier provisório, os alunos de Horácio que vinham à noite, carregados de livros e perguntas, uma casa viva onde cada um encontrava o seu espaço.»


Teolinda Gersão
in Paisagem com Mulher e Mar ao Fundo


Imagem: Chema Madoz
Mais sobre a escritora, aqui.

sábado, setembro 1

Colecção Outono/Inverno

Por muito fúteis e insignificantes que pareçam, as roupas têm (...) outras e mais importantes funções que simplesmente a de nos aquecer. Modificam a nossa visão do mundo e a visão que o mundo tem de nós. Por exemplo, quando o Capitão Bartolus viu as saias de [da] Orlando, mandou imediatamente armar um toldo no convés, insistiu com ela para que comesse mais uma fatia de carne e convidou-a a acompanhá-lo a terra no escaler. Não lhe prestaria tais homenagens se as suas saias, em vez de rodadas, lhe moldassem as pernas como calções. E quando alguém nos presta homenagem, compete-nos retribuir de alguma forma. Orlando inclinava-se numa reverência; aquiescência; satisfazia os caprichos do bom homem (...). Não faltam, portanto, argumentos em favor da ideia de que são as roupas que nos usam e não nós a elas; (...)

O homem tem a mão livre para empunhar a espada, a mulher vê-se obrigada a usar a sua para impedir os cetins de lhe descaírem dos ombros. O homem olha de frente o mundo, como se este fosse feito para seu usufruto e talhado a seu gosto. A mulher deita-lhe um olhar enviesado, cheio de subtileza, ou mesmo de desconfiança. (...) As roupas são apenas o símbolo de algo que se oculta mais fundo.



Virginia Woolf

in Orlando

terça-feira, junho 19

I object/ Eu objecto!

Este é um excerto de um texto escrito por Sandra Bartky seguido da minha leitura e reescrita alternativa do mesmo.

It is a fine spring day, and with an utter lack of self-consciousness, I am bouncing down the street. Suddenly I hear men's voices. Catcalls and whistles fill the air. These noises are clearly sexual in intent and they are meant for me; they come from across the street. I freeze. My face flushes and my motions become stiff and self-conscious. The body which only a moment before I inhabited with such ease now floods my consciousness. I have been made into an object. While it is true that for these men I am nothing but, let us say, a "nice piece of ass", there is more involved in this encounter than their mere fragmented perception of me. They could, after all, have enjoyed me in silence. Blissfully unaware, breasts bouncing, eyes on the birds in the trees, I could have passed by without having been turned to stone. But I must be made to know that I am a "nice piece of ass": I must be made to see myself as they see me. There is an element of compulsion in this encounter, in this being-made-to-be-aware of one's own flesh; like being made to apologize, it is humiliating.
- S. Bartky (1990), "On Psychological Oppression"

A minha versão:

so, i turn around, and smiling sweetly, start stripping for them. my movements are clumsy, mechanical: this is not seduction after all. first i take off my floral-print dress, then i kick off my sandals; next i wiggle out of my panties (more catcalls, whistling, panting), i take off my breasts one by one (the crowd goes mad) and with a little twirl and a shy glance over my shoulder, i drop my nice piece of ass. then i walk away with what is left of me; i walk on without turning back.

e/ou:

so, i turn around, stone-faced, take out my gun and shoot the f***kers - "a girl needs a gun these days on account of those rattlesnakes"... but what to do with the bodies: this is not trophy hunting after all. as i take a few steps back, still clutching my gun, i notice that one of them is moving. "nice piece..." he croaks. but i walk away with the dead quiet (breasts bouncing, eyes on the birds in the trees); i walk on without turning back.

Convidam-se outros/as a escreverem mais alternativas!

segunda-feira, junho 11

Para ver. Em todos os sentidos.

“tomada de consciência individual ou colectiva da opressão específica das mulheres, acompanhada da vontade de instaurar a igualdade dos sexos em determinados ou em todos os domínios, a médio ou a longo prazo”
Florence Rochefort, Laurence Klejman

Este fim-de-semana, discutia-se acesamente o rótulo – feminista; que designar-se assim era dizer-se que se concordava com toda a tradição feminista. Confesso que foi um “coming out” tortuoso, o meu – ah! até aceitar que dissessem ou dizer eu que era feminista… a certa altura, percebi que o meu receio era mais cobardia e “cuspir no prato que se come”.

Cobardia porque é muito mais confortável ser-se feminista e não usar o “rótulo” (não temos de nos ver associadas aos estereótipos comuns – só ficamos com a parte “boa”). Por outro lado – o com mais peso – sentia que ao mostrar algum tipo de desconforto com o “engavetamento” – apesar de já lá estar - era dizer a todas as mulheres que lutaram (e lutam) pelo que hoje temos que estamos muito agradecidas e tal mas que não somos como elas, nem queremos ser. É óbvio que não concordo com todos os feminismos, não assinaria o manifesto SCUM, por exemplo, nem defenderia uma igualdade pela aproximação ao comportamento masculino. A questão é que essas “correntes” não deixam de encaixar na definição ali em cima. Fazem-no pela consciência de opressão e pela vontade de a anular.

Compreendo os receios, acabei de confessar os meus, e por isso devia ser mais tolerante, mas a verdade é que sinto o “defendo a igualdade de direitos e deveres entre homens e mulheres, luto por isso no meu dia a dia, mas não; não sou feminista” como uma facada.

Ao ver o filme Votes for Women que é excelente retrato das (diferentes, mas imprescindíveis, posições de associações) sufragistas americanas e o longo percurso até conseguirem o voto no feminino, tive a perfeita noção do quão ingrata estava a ser – e todas as pessoas que são feministas mas não o assumem.

É que é diferente ler-se a história escrita - os percursos racionalizados em frases – e ver o pormenor; as dificuldades SENTIDAS (não só contadas com o distanciamento que sempre se tem). É diferente contarem-nos que muitas sufragistas foram presas, durante as suas lutas, e VER (ainda que em filme) como eram tratadas na prisão; como eram espancadas, torturadas, manipuladas, etiquetadas como mentalmente insanas (“a coragem num homem é loucura nas mulheres”) - tudo pelo direito das mulheres votarem.

E fiquei com vontade de dizer a todas/todos os que defendem o feminismo mas recusam o rótulo, para verem o filme. Para verem o injusto que é essa posição fraca – e no filme vê-se bem isso na personagem Emily Leighton (“pessoas assim são piores que os anti-sufragistas”, dizia-lhe Alice Paul).

E serve também, para mim, para quem passa a vida a tentar desvalorizar todo o feminismo. Se hoje não vêm a necessidade de o “adoptar” – isso daria muitos outros posts – pelo menos, que se faça a devida vénia ao que foi. E se acabe com a cegueira, pelo menos quanto ao passado.

Votes for women

Realizadora: Katja von Garnier

Partes do filme podem ser vistas aqui

segunda-feira, junho 4

O Mito da beleza

(…) as feministas eram criticadas como mulheres defeituosas, homens pela metade, masculinizadas… revistas humorísticas e legisladores hostis à causa, por toda a parte divulgavam uma imagem alarmante de espantosas megeras masculinizadas (…).

(…) Embora muitas mulheres percebessem que sua atenção estava sendo focalizada dessa forma [nas suas características físicas e não reivindicações], poucas compreenderam totalmente como esse enfoque é meticulosamente político. Quando se atrai a atenção para as características físicas de líderes de mulheres, essas líderes podem ser repudiadas por serem bonitas demais ou feias demais. O resultado líquido é impedir que as mulheres se identifiquem com as questões. Se a mulher púbica for estigmatizada como sendo “bonita”, ela será uma ameaça, uma rival, ou simplesmente uma pessoa não muito séria. Se for criticada por ser “feia”, qualquer mulher se arrisca a ser descrita com o mesmo adjectivo se se identificar com as idéias dela. As implicações políticas do fato de que nenhuma mulher ou grupo de mulheres, sejam elas donas-de-casa, prostitutas, astronautas, políticas ou feministas, podem sobreviver ilesos ao escrutínio devastador do mito da beleza, ainda não foram avaliadas por inteiro. Portanto, a tática de dividir para conquistar foi eficaz.

(…) O mito não isola as mulheres segundo suas gerações, mas, pelo facto de incentivar a desconfiança entre todas as mulheres com base na aparência, ele as isola de todas as outras mulheres que elas não conheçam e apreciem pessoalmente. Embora elas tenham grupos de amigas íntimas, o mito e as condições das mulheres até recentemente impediram-nas de aprender algo que possibilita as mudanças sociais masculinas: como se identificar com outras mulheres desconhecidas de uma forma que não seja pessoal.

O mito gostaria que as mulheres acreditassem que a mulher desconhecida (…) está sob suspeita antes de abrir a boca por ser Uma Outra, e a lógica da beleza insiste que as mulheres considerem umas às outras como possíveis adversárias até descobrirem que são amigas.

Naomi Wolf
in “O Mito da Beleza”
Editora Rocco

quinta-feira, maio 3

Embe-leSar

«Toda a mulher sabe que, independentemente de todas as suas outras proezas, é um fracasso se não for bonita. Sabe também que qualquer que seja a sua beleza, esta decai a olhos vistos dia após dia. Uma mulher nunca pode parecer a idade que tem. Mesmo que seja de uma beleza sobrenatural, como as supermodelos cujas imagens vê reproduzidas à sua volta até lhe serem mais familiares do que os traços da sua própria mãe, nunca pode ser suficientemente bonita. Deve haver bocados dela que não prestam, os seus joelhos, os seus pés, as suas nádegas, os seus seios. (...)



Os cientistas designam a anormal preocupação com um defeito no aspecto físico por Perturbação Dismórfica Corporal [Michael Jackson parece ser um caso evidente desta perturbação; fez mais de 30 cirurgias plásticas]. (...) Aquilo que num homem é comportamento patológico é exigido de uma mulher. Um homem calvo que use peruca é uma figura ridícula; uma mulher calva que se recuse a usar peruca está a ser obstinada. As mulheres com pêlos a "mais" (i.e., quaisquer pêlos) devem lidar diariamente com todo o tipo de produtos de depilação para parecer que não têm pêlos. Oxigenar bigodes, pôr cera nas pernas e arrancar sobrancelhas são actividades que absorvem centenas das horas das mulheres. (...) Ninguém diria que a mulher que se sujeita à agoniante provação de arrancar os pêlos das virilhas com cera quente sofre de Perturbação Dismórfica Corporal.»

Germaine Greer
in A Mulher Total

Imagem: René Magritte
The Collective Invention

quarta-feira, março 14

Mulher Objecto

"Segundo costumes e convenções que, finalmente, têm vindo a ser postos em causa, mas de que modo algum foram ultrapassados, a aparência social da mulher é de espécie diferente da do homem. A presença de um homem depende da promessa de poder que encarna. O poder prometido pode ser moral, físico, temperamental, económico, social, sexual; mas a sua incidência é sempre exterior ao homem. (…) A aparência, para uma mulher, é tão intrínseca à sua pessoa que os homens tendem a considerá-la como uma emanação pessoal, uma espécie de calor, um aroma ou uma aura. (…) Os homens agem, as mulheres aparecem. Os homens olham para as mulheres. As mulheres vêem-se a serem vistas. Isto determina não só as relações entre homens e mulheres, como também as relações das mulheres consigo próprias. O vigilante da mulher dentro de si própria é masculino; a vigiada, feminina. Assim, a mulher transforma-se a si própria em objecto – e muito especialmente num objecto visual: uma visão."

John Berger

Citado em Mulheres de Papel,
de Alice Marques

sexta-feira, março 9

Qual foi o acontecimento do ano em Portugal?

Mário Crespo Jornalista






"Para mim, é a repetição do milagre que as mulheres portuguesas continuam a fazer. Estão nas filas dos transportes públicos às seis da manhã para ir para o trabalho e depois, à noite, em casa, vão mantendo tudo como se lá tivessem estado todo o dia. Face ao que fazem todos os dias, tudo o mais no País é realmente banal."




Revista Notícias Sábado do JN





segunda-feira, janeiro 29

Bem...

"As mulheres podem tornar-se facilmente amigas de um homem; mas, para manter essa amizade, torna-se indispensável o concurso de uma pequena antipatia física".
Nietzsche .