Histórias para não adormecer (2)
Há um país, próximo da Europa (…) chamado Scythie ou terra dos Scythes. Aconteceu que, no decurso de uma guerra, todos os homens deste país pereceram. Quando as mulheres souberam, (…) encheram-se de coragem e convocaram um conselho de mulheres, resolvendo que, doravante, elas mesmas liderariam o país, livres do controlo dos homens. Emitiram um édito que proibia a entrada de qualquer homem no seu território, mas decidiram que, de forma a assegurar a sobrevivência da raça, iriam acasalar aos países vizinhos (…). Se dessem à luz um rapaz, este seria enviado para viver com o pai, mas raparigas criá-las-iam. (…) Em seguida, todas elas, mulheres e jovens, pegaram em armas, formaram batalhões e declararam guerra aos seus inimigos (…). Ninguém conseguia resistir-lhes, (…) vingaram bastante bem a morte dos seus maridos.

(…) Ficaram conhecidas como Amazonas, um nome que significa “aquela que sofreu ablação do seio”. Era seu costume, mediante uma técnica conhecida apenas por esta raça de mulheres, que a mais nobre delas tivesse o seio esquerdo removido pelo fogo, de modo a permitir-lhes transportar um escudo. Todas as raparigas que não tivessem nascimento nobre perderiam o seio direito para mais facilmente usarem o arco.
(…) Foram tão bem sucedidas que conquistaram grande parte da Europa e a região da Ásia, subjugando muitos reinos ao seu domínio.
Christine de Pisan
in A Cidade das Mulheres
Christine de Pisan: Considerada a primeira mulher escritora profissional da Europa; Primeira escritora a defender os direitos das mulheres.