segunda-feira, abril 23

Chafurdando em estatísticas...

... descubro que se a situação da mulher no mercado de trabalho pudesse figurar num quadro, a pintura não seria difícil. Bastava tinta preta. É que o cenário é sombrio:

Temos mais dificuldade em arranjar emprego - muito embora existam mais mulheres habilitadas (licenciaturas e mestrados).

Quando conseguimos emprego, recebemos menos que um homem, em tarefa igual.

Depois, se há alguém que tem de abandonar o emprego(-num-palheiro), para cuidar dos filhos, esse alguém é normalmente a mulher.

Permanecemos circunscritas a actividades normalmente desenvolvidas por mulheres (área administrativa; profissões intelectuais e científicas; serviços e vendas).

E os cargos de chefia continuam a ser-nos barrados - por um tecto de vidro.

Já para não falar que continuamos a acumular o trabalho com as actividades domésticas... e que elas não são remuneradas...

Mas que isto não soe a vitimação. As estatísticas servem, na minha visão, para reconhecermos a posição que ocupamos; o papel (escrito por outros) que desempenhamos. Serve, acho e espero, para reescrevermos esse papel.

E servem também - pronto, confesso - como desculpa para, de vez em quando, linkar coisas interessantes. Como - deixa lá ver... assim de repente... já sei! -um artigo do expresso emprego. Passem lá. E aproveitem para ver outros artigos relacionados com mulheres no trabalho.


Por aqui, havemos de voltar ao tema!

Imagem: Helena Almeida


sábado, abril 21

Quem canta consente (1)

Ani DiFranco
"Not A Pretty Girl"

I am not a pretty girl
that is not what I do
I ain't no damsel in distess
and I don't need to be rescued
so put me down punk
maybe you'd prefer a maiden fair
isn't there a kitten stuck up a tree somewhere

(...)

I am not a pretty girl
I don't want to be a pretty girl
no I want to be more than a pretty girl

(Não estranhem o csi... era o único vídeo com esta musica)

terça-feira, abril 17

"Se fosse uma personagem do Sexo e a Cidade, qual seria?"

As cuscas fizeram o teste… e descobriram um homem infiltrado no "Cusquices"!



Cuscólica Anónima

Você até é muito descontraída e divertida, mas no que diz respeito às relações gosta de sentir compromisso e seriedade. Ainda pensa muito no passado e isso impede-a de andar para a frente. É inteligente mas deixa-se levar pelo coração.

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Cuscarédo

Para si, os homens estão entre o desporto e a colecção de cromos. Hedonista, gosta essencialmente de se divertir. Não perde tempo a planear o futuro e só acredita em relações intensa mas fugazes.

(Como pôde à Cuscarédo, toda Charlotte, ter dado a Samantha?????)
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Cuscaróis e Cuscavel

Você tem um espírito independente e proclama alto e bom som que o amor não é prioridade – o que não deixa de ser verdade, mas esconde também algum medo de ficar só. É muito opinativa e mesmo sarcástica.

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CusKiss

Você é sofisticada e amante de festas. Vive perfeitamente com as suas diferenças e opções de vida. É divertida mas é igualmente um bom ombro amigo.
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Pronto, confesse-se que não foi cada uma das cuscas a resover o seu próprio teste... Teria dado diferente? hum...

segunda-feira, abril 16

Cusca com mau feitio

Detesto este tempo... ora calor... ora frio... nunca sei o que hei-de vestir...

Venha o calor de uma vez... e rápido...

sexta-feira, abril 13

Violência doméstica

“A violência contra as mulheres é talvez a mais vergonhosa violação dos direitos humanos. Não conhece fronteiras geográficas, culturais ou de riqueza. Enquanto se mantiver, não poderemos afirmar que fizemos verdadeiros progressos em direcção à igualdade, ao desenvolvimento e à paz.”
Kofi Annan, Secretário Geral das Nações Unidas

É na família, na intimidade do lar, que as mulheres sofrem grande parte da violência de que são alvo.

As mulheres são maltratadas, não só quando agredidas fisicamente, mas também quando são objecto de insultos, humilhações, abandono e ameaças. Este tipo de maus-tratos pode deixar marcas tão profundas como as que deixam os espancamentos ou feridas.

O agressor é quase sempre o marido ou companheiro mas também pode ser o pai, irmão, padrasto, filho ou outros familiares.

Em Portugal, por semana, cerca de seis mulheres são vítimas de crimes contra a vida.

Os maus-tratos físicos são formas de agressão desde a bofetada, soco, pontapé até espancamentos, agressões com objectos e armas. É uma ofensa tão grave que a lei portuguesa a considera fundamento para pedir o divórcio.
O Código Penal português prevê e pune os crimes de violência contra a família. O artigo 152 º do Código Penal atribui ao crime de maus-tratos, físicos e psíquicos, a natureza pública, punindo com pena de prisão de 1 a 5 anos quem infligir maus-tratos físicos ou psíquicos ao cônjuge ou a progenitor ou descendente comum em 1º grau. Dado tratar-se de crime de natureza pública, este crime não carece de queixa mas tão só de denúncia e os agentes da autoridade não podem deixar de tomar conta da ocorrência e comunicá-la ao Ministério Público para instauração de inquérito.

Qualquer pessoa pode denunciar, na esquadra ou posto local próximo, caos de violência domésticos ou maus-tratos em geral. As autoridades policiais são obrigadas a comunicar ao tribunal e a protecção das testemunhas está assegurada pela lei relativa à protecção de testemunhas.

Muitas mulheres sentem vergonha quando são vítimas de agressão, calando-se e afastando-se das pessoas que a rodeiam, o que as torna mais vulneráveis e à mercê do agressor e também devido à dependência económica e ao receio de novas agressões, o que faz com que o agressor se sinta impune e repita a agressão. A violência contra a mulher não é um problema que só respeita ao casal: é um problema social.

O velho ditado “entre marido e mulher não se mete a colher” não pode ser mais falso quando se trata deste crime. Muitos homens receiam o conhecimento público dos seus actos violentos e hesitarão cometê-los se souberem que serão denunciados quer pela vítima quer por alguém que tome conhecimento deles.

A violência contra as mulheres é uma violação dos direitos humanos fundamentais: da liberdade, da integridade física, da dignidade individual e da própria vida.

Cabe a cada um/a de nós mudar esta realidade....

http://www.mdmulheres.com/violencias.html

É por isto que temos de continuar a lutar pela mulheres que sofrem em silêncio e encorajá-las a lutarem pela sua liberdade!!

terça-feira, abril 10

Arte feita pelas mulheres (3)

Post especialmente dedicado ao senhor ou senhora que cá veio parar através da pesquisa "gajas com vaginas".


VALIE EXPORT
n. em 1940 em Linz; vive e trabalha em Viena e Colónia.

VALIE EXPORT (sempre em maiúsculas) foi a identidade adoptada pela artista em 1967: “Export significa sempre e em toda a parte. Significa Export(ação) de mim mesma. Não queria usar nem o nome do meu pai nem o nome do meu marido. Queria encontrar um nome só meu”.



Ao querer que o seu nome “escrito sempre em maiúsculas”, a artista pretendia dar-lhe a força de um manifesto e, simultaneamente, a qualidade de logótipo. Juntamente com a legenda “MADE IN AUSTRIA”, o nome transmitia, assim, a ideia de que a produção de arte é também produção de bens de consumo, e ligava essa ideia à questão de como as mulheres são construídas como objectos de consumo tanto dentro como fora do mundo da arte. *





Os seus trabalhos, independentemente da forma que assumem (vídeo, performances, documentários, esculturas, fotografias) têm como veículo privilegiado o corpo - transporte de novas percepções e codificações; utensílio para chocar (confrontar) o público com a realidade da hipocrisia erótica, com a destruição e agressão.

Autora de diversos textos sobre mulheres e arte, VALIE, no seu "Women´s Art: A Manifesto" escreve "deixemos as mulheres falarem para que possam encontrar-se a si próprias".


Aqui, prompomo-nos fazer isso mesmo: deixar, tão-somente, que as imagens da arte de VALIE EXPORT falem por si (e de si, só as legendas) - para que a encontremos enquanto se econtra com ela:



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"Tap und Tastkino" (Touch Cinema) (1968)

A imagem revela parte de uma série de acções de rua em que VALIE "veste" uma miniatura de um palco que deixa as suas mamas nuas mas escondidas. Com um megafone, o público era encorajado a aproximar-se e a tocar o que se escondia por detrás do pano do palco. Desta forma, VALIE chamava a atenção para a objectivação do corpo da mulher na "sociedade do espectáculo".

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"Genital Panic" (1969)

Nesta "acção" a artista invade um cinema pornográfico de Munique, envergando o traje e arma que mostra a fotografia e, dirigindo-se à audiência, anuncia que verdadeiros genitais femininos estariam disponíveis para fazerem com eles o que quisessem. A reacção do público foi um abandonar silencioso do cinema...



Como nós agora abandonamos este post?

...

Legendas das Imagens, por ordem de apresentação:

1. Smart- Export

2. Body Sign

3. Erwartung

4. Tapp - und tastkino

5. Valie Export and Peter Weibel

6. Genital Panic

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* in "Mulheres Artistas", Editora: Tachen

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mais informações aqui; ou aqui ou...

terça-feira, abril 3

Pensamento

O que teria acontecido se fossem três "Rainhas Magas" em vez de três Reis Magos???

* Teriam perguntado qual o caminho para chegarem lá! ( não demorariam tanto...)
* Teriam chegado a tempo e horas! ( Lá está...)
* Teriam ajudado no parto! ( ora bem...)
* Teriam feito uma limpeza Enorme no estábulo!( asseadinhas...)
* Teriam levado presentes com Enorme utilidade! ( porque nós pensamos sempre nisso)
* Teriam levado comidinha caseira para todos! ( não sei é se chegava ao destino...lol)


Depois de sairem o que diriam??

* Vocês viram as sandálias que a Maria estava a usar com aquela túnica??
* Como é que ela pode deixar aqueles bichos todos dentro de casa??
* Vocês acham que ela vai devolver as embalagens onde levamos a comidinha?
* O menino não se parece nada com o José...
* Virgem o caraças...eu lembro-me muito bem dela na faculdade...
* E o burro?? Está mesmo nas ultimas...
* Disseram-me que o José está desempregado...


Não é ser fofoqueiras! Não é querer dizer mal!!
Mas gostamos de comentar aquilo que vemos!
Muitas vezes nem é por maldade, é só para a risota!
A verdade é que nós somos super mulheres! Arranjamos tempo para fazer tudo e ainda estar atentas ao que nos rodeia!

sexta-feira, março 30

Representações das Mulheres nos Média

Os média são um meio de cultura de massas que funciona como um painel gigante das representações das mulheres (e dos homens, naturalmente). Sendo sistemas de construção e difusão de discursos, são um campo privilegiado de investigações na área dos estudos sobre as mulheres.

O número 14 da revista ex aequo, da Associação Portuguesa de Estudos sobre as Mulheres, revela isso mesmo ao dedicar-se inteiramente à questão das representações mediáticas de mulheres.

Sendo o tema vasto, e controverso, muito haveria a dizer. Opta-se, aqui, apenas por destacar, de um dos artigos, os resultados de um estudo, realizado em Janeiro de 1995, por ser um forte indicador dos padrões persistentes de exclusão, dos média, das mulheres.


  • Este estudo consistiu na análise, por um dia, de todas as notícias dos média dos países de 71 mulheres. Foram analisadas mais de 15.500 histórias.

    Os resultados são reveladores:

    Apenas 17% dos sujeitos das notícias do mundo eram do sexo feminino (repórteres ou entrevistadas).

    A mais baixa proporção de mulheres nas notícias é na Ásia: 14%;
    a mais elevada é de 27%, na América do Norte.

    De todas as notícias nos campos da política e do governo, as mulheres representam 7% dos sujeitos;
    9% nas notícias sobre economia e negócios;
    33% nas questões de saúde e sociais
    31% nas artes e lazer.

    Mas nem só as estatísticas revelaram a fraca representação das mulheres:

    A análise qualitativa destas notícias revelou uma notória ausência de vozes femininas nas notícias que diziam respeito às mulheres. Em notícias como o direito das mulheres de pedirem o divórcio no Egipto ou a penalização das mulheres por infidelidade na Turquia ou a elevada taxa de aborto nas adolescentes escocesas, os pontos de vista das mulheres foram excluídos.

A crítica, discussão e aprofundamento desta questão poderão ficar para posts futuros. Para já, e independentemente das limitações que os estudos sempre apresentam, é possível, já, uma confirmação:


A da “ natureza genderizada impregnada nos valores das notícias e nos processos de selecção das notícias” que “torna pouco provável a mudança apreciável (…) mesmo a médio prazo.”


“Perspectivas feministas sobre os media”, Margaret Gallagher
in Revista Ex-aequo, n.º 14,
Edições Afrontamento

quarta-feira, março 28

Donas de Casa Desesperadas. Ou só desesperadas...

No episódio de hoje (ontem?) de donas de casa desesperadas, Bree interrompe o cunnilingus que o seu cherie lhe servia (só para dar uma de poliglota – Olha! Línguas e sexo oral! Nem de propósito!), saindo disparada para o hospital. Uma vez lá, descreve, à médica, os sintomas que a assustaram e rapidamente (feliz médica!) lhe é diagnosticada uma perturbação degenerativa (é sabido que as nossas faculdades nos vão abandonando no momento do clímax): orgasmo. Sim, parece que Bree, ao contrário do que supusera durante 30 e alguns anos (estou generosa, hoje), teve o seu primeiro orgasmo.

Esta Bree, que bem pode ser a vizinha do lado, a esteticista, a sapateira, a chefe de secção, a mulher das limpezas, a motorista, tu e eu, achava estranha toda a exaltação à volta do sexo. Achava os filmes pornográficos ou eróticos exagerados. Achava que tesão (nenhuma outra palavra cabe aqui, a não ser mesmo t-e-s-ã-o) era coisa de primeiros encontros e descobertas. Achava que quem dizia que ter um orgasmo era a melhor coisa do mundo eram os pobres-de-emoções-que-acham-que-cinco-segundos-de-prazer-compensa-todos-os-outros-prazeres. Gostava, é certo. Muito, também é certo. Mas só quando fez sexo com o novo parceiro descobriu que, afinal, muito bom era muito má adjectivação.

Esta Bree pode continuar a achar que sexo é só um dos prazeres e não o supremo gozo. Mas acha, agora, que é supremo o gozo quando faz sexo. Acha que dizer que se sente abandonar-se nos corredores do seu corpo; dizer que a garganta lhe dói em sinal de protesto pelos gritos que a violam; dizer que, perto do que sente, um vulcão em erupção é um eufemismo, é cair no mesmo erro:

O de não ter percebido que só quando não se é capaz de descrever a sensação é que é possível a definição: orgasmo. Eco. Eco. Eco. Eco….

E agora, desculpem lá, mas este post acaba como o cunnilingus a Bree: abruptamente. Mas só porque já venho!


ps: qualquer semelhança com a série é mera ficção

Uma cusquice completamente desnecessária mas totalmente irresistível



Façam o teste aqui.

quarta-feira, março 14

Mulher Objecto

"Segundo costumes e convenções que, finalmente, têm vindo a ser postos em causa, mas de que modo algum foram ultrapassados, a aparência social da mulher é de espécie diferente da do homem. A presença de um homem depende da promessa de poder que encarna. O poder prometido pode ser moral, físico, temperamental, económico, social, sexual; mas a sua incidência é sempre exterior ao homem. (…) A aparência, para uma mulher, é tão intrínseca à sua pessoa que os homens tendem a considerá-la como uma emanação pessoal, uma espécie de calor, um aroma ou uma aura. (…) Os homens agem, as mulheres aparecem. Os homens olham para as mulheres. As mulheres vêem-se a serem vistas. Isto determina não só as relações entre homens e mulheres, como também as relações das mulheres consigo próprias. O vigilante da mulher dentro de si própria é masculino; a vigiada, feminina. Assim, a mulher transforma-se a si própria em objecto – e muito especialmente num objecto visual: uma visão."

John Berger

Citado em Mulheres de Papel,
de Alice Marques

sexta-feira, março 9

Qual foi o acontecimento do ano em Portugal?

Mário Crespo Jornalista






"Para mim, é a repetição do milagre que as mulheres portuguesas continuam a fazer. Estão nas filas dos transportes públicos às seis da manhã para ir para o trabalho e depois, à noite, em casa, vão mantendo tudo como se lá tivessem estado todo o dia. Face ao que fazem todos os dias, tudo o mais no País é realmente banal."




Revista Notícias Sábado do JN





quinta-feira, março 8

Dia Internacional da Mulher

Dizíamos, no post anterior, que a luta pela igualdade entre homens e mulheres ainda faz sentido nos tempos que correm. E é fácil verificarmos isso mesmo.

Basta passarmos pelo site da Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego para rapidamente verificarmos que a reivindicação por salários idênticos para homens e mulheres, em trabalhos iguais, é ainda uma necessidade. Somos, também aqui, as tecelãs do século XIX.
  • Em Portugal, as mulheres recebem menos de 25% do salário dos homens para trabalho igual.

E da mesma forma que aquelas 130 mulheres foram vítimas de crimes contra a vida, também nós o somos, nos dias de hoje.

E isto, em Portugal.
No resto do mundo, mudam os números. Podem, até, mudar os objectos de estudo. Mas a descoberta é a mesma.

Conheçamos alguns destaques (não invalida que vejam todo o documento; é revelador) das Estatísticas Internacionais de Violência contra as Mulheres, divulgadas no site da UMAR:

  • Nos EUA uma mulher é espancada a cada 15 segundos, normalmente pelo seu parceiro ou marido. (Estudo da ONU sobre as Mulheres, 2000)

    Uma em cada cinco mulheres será vítima de violação ou tentativa de violação na sua vida (OMS 1997).

    No Iraque pelo menos 400 mulheres e raparigas, com pouco mais de 8 anos, foram violadas em Bagdad, durante ou depois da guerra, desde Abril 2003 (Estudo da Human Rights Watch, 2003).

    Mais de 135 milhões de raparigas e mulheres têm sido sujeitas à mutilação genital e cerca de 2 milhões estão em risco todos os anos (6.000 todos os dias) (ONU, 2002).

    A violação marital é reconhecida como crime em apenas 51 países, (UNIFEM, 2003).

    51% da população mundial infectada com HIV/SIDA (mais de 20 milhões) são mulheres. (UNIFEM, 2003)

E chega-nos, então, a (infeliz) confirmação que falar-se de desigualdade não é “birra” de mulheres desocupadas, fundamentalistas, ultrapassadas ou com falta de sexo (estereótipos recorrentes para as feministas).

Chega-nos a confirmação que não é tanta a distância que nos separa daquelas mulheres do século XIX.

Chega-nos a confirmação que a desigualdade não é tema de quem não tem nada para fazer. Pelo contrário. É que, a avaliar por estes dados,

o que não nos falta, é o que fazer!

Imagem: "Mulher Cão", Paula Rego

terça-feira, março 6

Faltam dois dias

Porquê 8 de Março como “Dia Internacional da Mulher”?

  • No dia 8 de Março de 1857, operárias de uma fábrica têxtil de Nova Iorque entraram em greve. Ocuparam a fábrica para reivindicar melhores condições de trabalho, como a redução na carga diária de trabalho para 10 horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), a equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e o tratamento digno no ambiente de trabalho.

    Esta manifestação foi reprimida com total violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica que foi incendiada. Aproximadamente 130 mulheres morreram queimadas.

    Em 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de Março passaria a ser o "Dia Internacional da Mulher" (data que viria a ser oficializada pela ONU em 1975), em homenagem às tecelãs que morreram na fábrica em 1857.


Este é o verdadeiro significado do 8 de Março. Não é para “lembrar” que existem mulheres nem tratá-las com especial atenção, oferecendo-lhes presentes. É o dia em que se chama a atenção para as situações de discriminação a que somos sujeitas diariamente, só porque somos mulheres.

É o dia em que, por todo o mundo, se realizam debates, reuniões, conferências com o objectivo de chamar a atenção para o papel e a dignidade da mulher e de contestar e rever preconceitos e limitações que nos vêm sendo impostos.

Por isso, queridas cuscas, deixemos de parte os usuais comentários de desvalorização deste dia. Lembremos e homenageemos a luta destas mulheres pela igualdade! E lembremos, neste dia (todos os dias) que, apesar dos avanços, essa luta ainda faz sentido.

Adenda: participem na blogaguem colectiva, a propósito do Dia da Mulher, sugerida aqui

quarta-feira, fevereiro 28

Puxar o tapete... vermelho

As melhores:



As piores das melhores:



As piores das piores:

quarta-feira, fevereiro 14

AMAR!!

Amar

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...


Florbela Espanca


Porque ouvi;
Porque li;
Porque foi mulher que sentiu e escreveu;
Porque é lindo e eu gostei!!

segunda-feira, fevereiro 12

Mulheres contra Mulheres (2)


Sem REIno
Saibamos não temer a luminosidade das rainhas singulares
para deixarmos, enfim, a sombra do REInado.




Analisadas possíveis causas e avançadas algumas formas de contornar este "reino de divididas", é chegada a altura de aproximarmos a lupa e tentarmos decifrar acções concretas e simples que nos proporcionarão uma convivência mais saudável e solidária.

E onde quer que a lupa nos prenda o olhar, solidariedade é a palavra focada, iluminando o percurso que permite abandonarmos a sombra do REInado.

Mas como traduzir, na prática, esta ambicionada solidariedade?
Eis algumas propostas:

1. Ter presente que os homens não são, por definição, mais importantes que nós. O que nos permitirá apoiarmo-nos orgulhosamente umas nas outras. (Shere Hite)

2. Sermos cúmplices e capazes de reconhecer autoridade na (outra) mulher. (Elena Simón)

3. Sabermos reconhecer o valor de uma mulher e renunciar ao "sim, mas…" que normalmente acompanha o "elogio", camuflando a inveja, o ciúme, a rivalidade.
Exemplo do "sim, mas…":
- Aquela mulher é muito bonita
- Sim, mas também tem dinheiro para se cuidar…


4. Adoptar uma atitude solidária acima das antipatias, podendo resultar num pacto de silêncio. Algo como: "Eu, pessoa do sexo feminino, estou disposta a não criticar nenhuma acção ou decisão tomada por outra pessoa do mesmo sexo, a não ser que extravase certos limites que um ser humano não deve ultrapassar". (Amélia Valcárcel)


5. Não ocultar a rivalidade e a competição - já que tal contribuiria para exacerbar as tensões e a agressão entre as mulheres. (Marcela Lagarde). Sermos, antes, francas mas numa óptica construtiva: "Dir-lhe-ei clara e serenamente o que na sua conduta me perturba. Mas só se essa conduta for mais prejudicial para ela do que para mim".

6. "A história do patriarcado é uma história de exclusões, a história da ocultação das mulheres." Há, pois, que renunciar ao papel de órfãs, conhecendo, revelando, nomeando e orgulhando-nos das mulheres da História. (Gioconda Belli). "Diminuímos a misoginia de cada vez que reconhecemos os contributos das mulheres" (Carmen Alborch)


7. Conhecermo-nos, valorizarmo-nos individualmente, abandonando os mecanismos de constante auto-avaliação. O desenvolvimento colectivo só é possível a partir do desenvolvimento individual. (Victoria Camps)

8. Reconhecer que ser solidária não é ser dependente; não é entregarmo-nos incondicionalmente e subordinarmo-nos aos interesses alheios. Será, antes, sublinhar o princípio: "Tenho algo para dar e posso receber algo" (Marcela Lagarde)

9. Aprender a discordar sem misoginia. Reconhecer, em igualdade, que somos diferentes.


10. 11. 12. 13... Existirão, seguramente, muitas outras propostas (alguém tem ideias?). Mas, ainda assim, nenhuma delas poderá prometer a solidariedade. Este é um destino complexo, em que não cabem princípios universais.

Independentemente de não encontrarmos "receitas" para a solidariedade, esse ambicionado destino só poderá alcançar-se com passadas firmes. E a firmeza dos passos, essa sim, poderá ser generalizável a propostas como estas.

Caminhemos, pois!

terça-feira, fevereiro 6

Beleza?

Meninas não desesperem... toda a gente consegue ser bonita...

ou

Meninas não desesperem... por denegrirem tanto a imagem da Mulher...

segunda-feira, fevereiro 5

Elogio à moda*

Tudo aquilo que ornamenta a mulher, tudo o que serve para ilustrar a sua beleza, faz parte dela mesma; (…) A mulher é sem dúvida uma luz, um olhar, um convite à felicidade, uma palavra por vezes; mas ela é sobretudo uma harmonia geral, não apenas na sua compleição e no movimento dos seus membros, mas também nas musselinas, nas gazes, na vasta e cintilante profusão de tecidos com que se envolve, e que são como que os atributos e o pedestal da sua divindade; no metal e no mineral que serpenteiam em torno dos seus braços e do seu pescoço, que juntam as suas centelhas ao fogo dos seus olhares, ou que brilham docemente nas suas orelhas.

Baudelaire
in "O pintor da vida moderna"


Aqui tens, querida Cuskiss, um defensor do teu “andar na moda não é vergonha”.

Diz-nos, Baudelaire, que só o sobrenatural, o artificial, o ornamento é virtuoso – sinal de nobreza primitiva da alma humana - e que a natureza apenas tem o papel de nos constranger a necessidades e nos conduzir a atrocidades, por ser vista como a voz do nosso interesse (egoísmo).

E se “o mal se faz sem esforço, naturalmente, por fatalidade “ e “o bem é sempre produto de uma arte”, a moda não pode senão ser considerada como “um sintoma do gosto do ideal, flutuando no cérebro humano, acima de tudo aquilo que a vida natural vai acumulando ali de grosseiro, terrestre e imundo, como uma deformação sublime da natureza.”

Por isto, querida cusca (queridas cuscas), é teu direito aplicares-te a “parecer mágica e sobrenatural”, e de “recorrer a todas as artes para obter os meios de se [te] elevar[es] acima da natureza”.

* a propósito do post “O último grito da moda”