sábado, março 24
quarta-feira, março 14
Mulher Objecto
John Berger
Citado em Mulheres de Papel,
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cuscavel
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3/14/2007
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Marcador: Citações, Corpo (d)e Mulheres, John Berger
sexta-feira, março 9
Qual foi o acontecimento do ano em Portugal?
Mário Crespo Jornalista
"Para mim, é a repetição do milagre que as mulheres portuguesas continuam a fazer. Estão nas filas dos transportes públicos às seis da manhã para ir para o trabalho e depois, à noite, em casa, vão mantendo tudo como se lá tivessem estado todo o dia. Face ao que fazem todos os dias, tudo o mais no País é realmente banal."
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cuscaróis
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3/09/2007
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cusquices
Marcador: Citações
quinta-feira, março 8
Dia Internacional da Mulher
Dizíamos, no post anterior, que a luta pela igualdade entre homens e mulheres ainda faz sentido nos tempos que correm. E é fácil verificarmos isso mesmo.Basta passarmos pelo site da Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego para rapidamente verificarmos que a reivindicação por salários idênticos para homens e mulheres, em trabalhos iguais, é ainda uma necessidade. Somos, também aqui, as tecelãs do século XIX.
- Em Portugal, as mulheres recebem menos de 25% do salário dos homens para trabalho igual.
E da mesma forma que aquelas 130 mulheres foram vítimas de crimes contra a vida, também nós o somos, nos dias de hoje.
E isto, em Portugal.
No resto do mundo, mudam os números. Podem, até, mudar os objectos de estudo. Mas a descoberta é a mesma.
Conheçamos alguns destaques (não invalida que vejam todo o documento; é revelador) das Estatísticas Internacionais de Violência contra as Mulheres, divulgadas no site da UMAR:
- Nos EUA uma mulher é espancada a cada 15 segundos, normalmente pelo seu parceiro ou marido. (Estudo da ONU sobre as Mulheres, 2000)
Uma em cada cinco mulheres será vítima de violação ou tentativa de violação na sua vida (OMS 1997).
No Iraque pelo menos 400 mulheres e raparigas, com pouco mais de 8 anos, foram violadas em Bagdad, durante ou depois da guerra, desde Abril 2003 (Estudo da Human Rights Watch, 2003).
Mais de 135 milhões de raparigas e mulheres têm sido sujeitas à mutilação genital e cerca de 2 milhões estão em risco todos os anos (6.000 todos os dias) (ONU, 2002).
A violação marital é reconhecida como crime em apenas 51 países, (UNIFEM, 2003).
51% da população mundial infectada com HIV/SIDA (mais de 20 milhões) são mulheres. (UNIFEM, 2003)
E chega-nos, então, a (infeliz) confirmação que falar-se de desigualdade não é “birra” de mulheres desocupadas, fundamentalistas, ultrapassadas ou com falta de sexo (estereótipos recorrentes para as feministas).
Chega-nos a confirmação que não é tanta a distância que nos separa daquelas mulheres do século XIX.
Chega-nos a confirmação que a desigualdade não é tema de quem não tem nada para fazer. Pelo contrário. É que, a avaliar por estes dados,
o que não nos falta, é o que fazer!
Imagem: "Mulher Cão", Paula Rego
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cuscavel
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3/08/2007
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Marcador: Dia Internacional da Mulher, Feminismo para quê?
terça-feira, março 6
Faltam dois dias
Porquê 8 de Março como “Dia Internacional da Mulher”?
No dia 8 de Março de 1857, operárias de uma fábrica têxtil de Nova Iorque entraram em greve. Ocuparam a fábrica para reivindicar melhores condições de trabalho, como a redução na carga diária de trabalho para 10 horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), a equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e o tratamento digno no ambiente de trabalho.
Esta manifestação foi reprimida com total violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica que foi incendiada. Aproximadamente 130 mulheres morreram queimadas.
Em 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de Março passaria a ser o "Dia Internacional da Mulher" (data que viria a ser oficializada pela ONU em 1975), em homenagem às tecelãs que morreram na fábrica em 1857.
Este é o verdadeiro significado do 8 de Março. Não é para “lembrar” que existem mulheres nem tratá-las com especial atenção, oferecendo-lhes presentes. É o dia em que se chama a atenção para as situações de discriminação a que somos sujeitas diariamente, só porque somos mulheres.
É o dia em que, por todo o mundo, se realizam debates, reuniões, conferências com o objectivo de chamar a atenção para o papel e a dignidade da mulher e de contestar e rever preconceitos e limitações que nos vêm sendo impostos.
Por isso, queridas cuscas, deixemos de parte os usuais comentários de desvalorização deste dia. Lembremos e homenageemos a luta destas mulheres pela igualdade! E lembremos, neste dia (todos os dias) que, apesar dos avanços, essa luta ainda faz sentido.
Adenda: participem na blogaguem colectiva, a propósito do Dia da Mulher, sugerida aqui
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cuscavel
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3/06/2007
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Marcador: Dia Internacional da Mulher, Marcas/os Feministas
quarta-feira, fevereiro 28
quarta-feira, fevereiro 14
AMAR!!
Amar
Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente
Amar! Amar! E não amar ninguém!
Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!
Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!
E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...
Florbela Espanca
Porque ouvi;
Porque li;
Porque foi mulher que sentiu e escreveu;
Porque é lindo e eu gostei!!
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cuscarédo
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2/14/2007
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Marcador: Florbela Espanca, Poesia
segunda-feira, fevereiro 12
Mulheres contra Mulheres (2)
Sem REIno
Saibamos não temer a luminosidade das rainhas singulares
para deixarmos, enfim, a sombra do REInado.
Analisadas possíveis causas e avançadas algumas formas de contornar este "reino de divididas", é chegada a altura de aproximarmos a lupa e tentarmos decifrar acções concretas e simples que nos proporcionarão uma convivência mais saudável e solidária.
E onde quer que a lupa nos prenda o olhar, solidariedade é a palavra focada, iluminando o percurso que permite abandonarmos a sombra do REInado.
Mas como traduzir, na prática, esta ambicionada solidariedade?
1. Ter presente que os homens não são, por definição, mais importantes que nós. O que nos permitirá apoiarmo-nos orgulhosamente umas nas outras. (Shere Hite)
2. Sermos cúmplices e capazes de reconhecer autoridade na (outra) mulher. (Elena Simón)
3. Sabermos reconhecer o valor de uma mulher e renunciar ao "sim, mas…" que normalmente acompanha o "elogio", camuflando a inveja, o ciúme, a rivalidade.
Exemplo do "sim, mas…":
- Aquela mulher é muito bonita
- Sim, mas também tem dinheiro para se cuidar…
4. Adoptar uma atitude solidária acima das antipatias, podendo resultar num pacto de silêncio. Algo como: "Eu, pessoa do sexo feminino, estou disposta a não criticar nenhuma acção ou decisão tomada por outra pessoa do mesmo sexo, a não ser que extravase certos limites que um ser humano não deve ultrapassar". (Amélia Valcárcel)
5. Não ocultar a rivalidade e a competição - já que tal contribuiria para exacerbar as tensões e a agressão entre as mulheres. (Marcela Lagarde). Sermos, antes, francas mas numa óptica construtiva: "Dir-lhe-ei clara e serenamente o que na sua conduta me perturba. Mas só se essa conduta for mais prejudicial para ela do que para mim".
6. "A história do patriarcado é uma história de exclusões, a história da ocultação das mulheres." Há, pois, que renunciar ao papel de órfãs, conhecendo, revelando, nomeando e orgulhando-nos das mulheres da História. (Gioconda Belli). "Diminuímos a misoginia de cada vez que reconhecemos os contributos das mulheres" (Carmen Alborch)
7. Conhecermo-nos, valorizarmo-nos individualmente, abandonando os mecanismos de constante auto-avaliação. O desenvolvimento colectivo só é possível a partir do desenvolvimento individual. (Victoria Camps)
8. Reconhecer que ser solidária não é ser dependente; não é entregarmo-nos incondicionalmente e subordinarmo-nos aos interesses alheios. Será, antes, sublinhar o princípio: "Tenho algo para dar e posso receber algo" (Marcela Lagarde)
9. Aprender a discordar sem misoginia. Reconhecer, em igualdade, que somos diferentes.
10. 11. 12. 13... Existirão, seguramente, muitas outras propostas (alguém tem ideias?). Mas, ainda assim, nenhuma delas poderá prometer a solidariedade. Este é um destino complexo, em que não cabem princípios universais.
Independentemente de não encontrarmos "receitas" para a solidariedade, esse ambicionado destino só poderá alcançar-se com passadas firmes. E a firmeza dos passos, essa sim, poderá ser generalizável a propostas como estas.
Caminhemos, pois!
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cuscavel
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2/12/2007
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Marcador: Mulheres contra Mulheres
terça-feira, fevereiro 6
Beleza?
Meninas não desesperem... toda a gente consegue ser bonita...
ou
Meninas não desesperem... por denegrirem tanto a imagem da Mulher...
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cuscólica anónima
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2/06/2007
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Marcador: Mulheres e Média
segunda-feira, fevereiro 5
Elogio à moda*
Baudelaire
Aqui tens, querida Cuskiss, um defensor do teu “andar na moda não é vergonha”.
Diz-nos, Baudelaire, que só o sobrenatural, o artificial, o ornamento é virtuoso – sinal de nobreza primitiva da alma humana - e que a natureza apenas tem o papel de nos constranger a necessidades e nos conduzir a atrocidades, por ser vista como a voz do nosso interesse (egoísmo).
E se “o mal se faz sem esforço, naturalmente, por fatalidade “ e “o bem é sempre produto de uma arte”, a moda não pode senão ser considerada como “um sintoma do gosto do ideal, flutuando no cérebro humano, acima de tudo aquilo que a vida natural vai acumulando ali de grosseiro, terrestre e imundo, como uma deformação sublime da natureza.”
* a propósito do post “O último grito da moda”
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cuscavel
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2/05/2007
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Marcador: Baudelaire, Moda
segunda-feira, janeiro 29
terça-feira, janeiro 23
O último grito da moda!!!
Alguns truques aqui, algumas diferenças ali, mas as passareles desta temporada apresentaram ,basicamente, uma moda parecida e sincronizada para todos os gostos!
As apostas desta temporada são:
- Vestidos Trapézio: Amplos e bem curtinhos, os vestidinhos no formato trapézio são frescos e confortáveis. Tudo o que precisamos para encarar a estação mais quente do ano!
-Navy: Estilo jet-set, navio e festa em alto mar! A moda pede, riscas, cordas, boinas, nós e lógico: marinho, vermelho e branco.
-Calções: Desde o verão passado, eles resistiram bravamente ao inverno e seguem com tudo neste verão. Os calções são aposta certa para qualquer ocasião variando, é claro, no tecido e no modelo.
-Jardineiras e macacões : Peças obrigatórias! Se existe algum "hit" neste verão, são os looks de maxi-peças que unem regata ou suspensório, a calções, calças e saias formando macacões, e jardineiras. Nos mais variados estilos, os "hits" aparecem do descontraído ao sexy sem pecar nos estampados ou nos tecidos lisos.
-Formas Fluídas: O verão pede frescor e frescor pede formas soltas que se deixam levar. Esta é a máxima para o verão 2007. Fluídos nas saias, nas calças, nos tops, nos vestidos.....
-Mini: Pernas à mostra! É bom começar a cuidar delas. Esta temporada grita: Mini saia! Mini calção! Mini vestido! Ultra-sexy, mega moderno e por que não, meigo! Vulgar? Nunca! Comportada, sempre!
-Arco-Íris: Cores sem pudores. Neste verão elas saltam aos olhos saturadíssimas! Pode tudo! O protagonista? Vermelho berrante!
-Preto: E para quem ainda torce o nariz para toda essa explosão de cores, uma alternativa: o preto. Sim, é verão, a gente sabe. Mas ele veio com força e apareceu em todos os desfiles nos mais variados looks. Pretinho básico, black total, preto e branco, em alguns detalhes.... para todos os gostos!
- Sobreposições: Agora é hora! Sabe quando você quis ousar? Misturar cores, estampados, transparências e recortes? Agora pode tudo! Top com top, legging com saia, bermuda com calção... Faça o que quiser!
-Etnico: Temporada vai, temporada volta e as influências étnicas estão sempre com tudo. Também pudera! Tanta cultura não pode ser assim desperdiçada! E viva as etnias!
-Maximalismo: Já foi dito mas eu repito: Pode tudo! Rendas, bordados, brocados, adamascados, cores, comprimentos, acessórios, volumes...
-Acerte a mão na maquilhagem: Pele estilo cenoura saiu de moda faz tempo. Um bronzeado leve e saudável toma conta do verão, reforçando a idéia do cuidado com a pele e enfatizando os problemas causados pelos malefícios do sol em excesso. Para dar “aquele ar” invista em: Pó iluminador, sombras metálicas e boca rosa. Para contornar os olhos: o lápis branco é o encarregado de abrir o olhar. E para quem não abre mão... o bom e velho batom vermelho segue sendo caliente!
-Cabelos: Quanto mais despenteada a juba, melhor! Looks descontraídos e franjas são a ordem do momento. A nova mania? Perucas! Será que alguém aguenta?
in fashion profile
Agora, mãos á obra. Não quer dizer que se siga á risca, mas fazer os possiveis para andar na moda...e confortaveis!!!
Beijokas
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Anónimo
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1/23/2007
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Marcador: Moda, O que vestir?
sexta-feira, janeiro 19
Vai uma aulinha de Português?
Porquê (s.m.):
O que está na origem ou explica um acontecimento, um comportamento.
= CAUSA, MOTIVO, RAZÃO.
Exemplos:
- Ninguém entende o porquê de tanta confusão.
- Este porquê é um substantivo.
- Quantos porquês existem na Língua Portuguesa?
- Existem quatro porquês.
Porquê (adv.):
Tem valor semântico causativo em frases interrogativas directas, sendo parafraseável por «por que motivo», «por que razão».
a) Usa-se isoladamente, sem outro constituinte na frase.
Exemplo:
- Não estou interessado. - Porquê?
b) Usa-se como frase infinitiva.
Exemplo:
- Porquê complicar tanto as coisas mais simples?
Por quê:
Sempre que a palavra “que” estiver no final da frase, deverá receber acento, independentemente do que a preceder.
Exemplos:
- Ela não me ligou e nem disse por quê.
- Estás a rir-te de quê?
- Vieste sentar-te aqui para quê?
Por que:
Usa-se por que, quando houver a junção da preposição “por” com o pronome interrogativo “que” ou com o pronome relativo “que”. Para facilitar, poderemos substituí-lo por «por qual razão», «pelo qual», «pela qual», «pelos quais», «pelas quais», «por qual».
Exemplo:
- Por que não me disse a verdade? (= por qual razão)
- Gostaria de saber por que não me disse a verdade. (= por qual razão)
- As causas por que discuti com ele são particulares. (= pelas quais)
- Esta é a causa por que luto. (= pela qual)
Porque (conj.):
Usa-se para ligar frases por subordinação no modo indicativo, e indica na frase que introduz:
a) Causa = como, dado que, visto que.
b) Ausência de explicação lógica ou recusa de a apresentar.
Exemplo:
- Porque é que não falas mais alto? - Porque não.
- Porque é que estás sempre a ver as horas? - Porque sim.
c) Apresenta função de coordenação entre frases independentes, permitindo justificar uma pergunta feita anteriormente, sendo parafraseável por «é que», «acontece que».
Exemplo:
- Estás a pensar ficar até mais tarde? Porque hoje estou sem carro.
Porque (adv. interr.)
Tem valor semântico causativo ou final em frases interrogativas directas, sendo parafraseável por «por que motivo», «por que razão», «com que fim», «com que intenção».
Exemplos:
- Porque saíste sem avisar?
- Porque mentiste?
Tem valor semântico causativo ou final em frases interrogativas indirectas, depois de verbos declarativos, sendo parafraseável por «por que motivo», «por que razão», «com que fim», «com que intenção».
Exemplos:
- Não explicou porque tinha de fazer de novo o trabalho.
- Não sei porque estás tão preocupada.
- Perguntei-lhe porque tinha escolhido aquele curso.
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cuscaróis
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1/19/2007
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Marcador: Por que? Porque? Porquê?
terça-feira, janeiro 16
Um post na ponta da língua
É o clitóris, e não a vagina, que está no centro da sensibilidade sexual.
É evidente que existem diversas áreas no nosso corpo despertas para a sexualidade. Freud dizia, até, que a sexualidade da mulher é difusa (dispersa por todo o corpo) por esta não ter um órgão sexual "visível"; logo, não tem uma parte do corpo específica em que "focar" a sua sexualidade – ao contrário do homem que a concentra no pénis.
Apesar destas inúmeras áreas, só existe uma responsável pelo clímax; e essa área é o clitóris. Todos os orgasmos são uma extensão das sensações provocadas por esta área.
E estão vocês a pensar: então e as vezes em que tive um orgasmo sem ter estimulado o clitóris?!
Isso é fruto da vossa cabeça. Literalmente. É que há também a estimulação através de processos mentais primários. Mas, apesar da estimulação poder ser psicológica, os "efeitos" continuam a ser físicos e o orgasmo ocorre, necessariamente, no órgão sexual equipado para o clímax: o clitóris.
Posto isto, caras cuscas, há que meter mãos à obra!
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cuscavel
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1/16/2007
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Marcador: Anne Koedt, Sexo
domingo, janeiro 14
A propósito deste post da Alien**
Talvez o problema não seja o facto de a publicidade fazer uso do estereótipo: é que ela fabrica-o, transforma qualquer imagem em estereótipo, de tanto a manusear. O seu carácter e a sua finalidade [persuasiva] obrigam-na a exagerar alguns aspectos em prejuízo de outros.
(…) De tudo o que foi dito não deve deduzir-se que caberia aos profissionais da publicidade ver que o assunto de uma publicidade ilícita ou de qualidade duvidosa [somente a eles] lhes diz respeito. (…)
Vivemos, sem dúvida, numa economia de mercado que não se desenvolve nem progride sem o marketing adequado. Mas, já que há uma certa mercantilização, pelo menos, é inevitável, em vez de nos arrepelarmos e alarmarmos por tudo e por nada, talvez fosse mais eficaz aprendermos a tirar partido das vantagens da publicidade para vender o que vale a pena vender. Vender cultura ou vender valores.
(…) Não só os publicitários, também os poderes públicos e a chamada sociedade civil devem estar alerta e adquirir visão crítica necessária para não se deixarem levar pela inércia publicitária.
(…) a mulher, como publicitária, como política ou como consumista, pode dizer muita coisa e coisas interessantes. Não só denunciando a publicidade machista, que isso já se faz e já temos os publicitários bastante mentalizados a esse respeito*. Sobretudo, contribuindo para que o interesse comum não se identifique automaticamente com o economicamente rentável."
Victoria Camps
In O Século das Mulheres
E vénia lhe seja feita: existem, realmente – e conseguimos lembrar-nos deles- excelentes anúncios institucionais que conseguem efeitos a curto prazo. E não deixa de ser uma venda.
* a autora refere-se à realidade espanhola. Será também a portuguesa?
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1/14/2007
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Marcador: Mulheres e Média, Victoria Camps
quinta-feira, janeiro 11
Contradições do não
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cuscavel
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1/11/2007
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Marcador: 11 de Fevereiro: vota sim, Direitos Sexuais e Reprodutivos
segunda-feira, janeiro 8
Arte feita pelas mulheres (1)
Barbara Kruger
n. em 1945 em Newark; vive e trabalha em Nova Iorque e Los Angeles.
Esta artista utiliza sobretudo fotomontagens que figuram em placards, instalações de parede, livros, cartazes em autocarros e outros suportes. Kruger recolhe imagens dos meios de comunicação social e dá-lhes um novo contexto, um novo significado. A essas imagens adiciona textos que pretendem subverter mensagens que a cultura capitalista bombardeia constantemente.
Os trabalhos desta activista foram altamente impulsionados pela teoria – que ela própria desenvolvera – de que as mensagens latentes nos média (tal como no cinema) procuram a normalização dos sujeitos (para irem ao encontro dos seus propósitos ideológicos, económicos e sociais); e que são (também) essas mensagens/representações responsáveis pela percepção que temos do sexo feminino (e masculino), bem como do género.
Para travar esta difusão estereotipada, B.K. procurou, em toda a sua obra, desconstruir estas mensagens/representações.
Nas imagens que agora vemos, B.K. utiliza sobretudo os pronomes pessoais "eu"(I), "vós", "tu" (you), "nós"(we), em vez de dizer "a mulher" ou "o homem". E fá-lo deliberadamente para recusar o alinhamento com o género; para permitir que qualquer pessoa (mulher/homem) se identifique com a mensagem, precisamente porque, diz-nos Kruger, a masculinidade e feminilidade não são identidades estanques, mas, antes, objecto de mudança.
Nas suas exposições/instalações espaciais, Kruger usa as paredes, o chão e o tecto como veículos de imagens e textos omnipresentes e de grande formato, cobrindo normalmente toda a sala, excluindo qualquer possibilidade de se "desviar o olhar" - como mostra a fotografia.
Para terminar, um trabalho recente de Barbara Kruger:
... porque a mensagem inerente me parece mais do que apropriada (dada a actualidade política do nosso país – pelo menos quanto à primeira frase).... e porque é reveladora da força imagética e ideológica da arte de Kruger.
...
Tradução livre das imagens, por ordem de apresentação:
1. Compro, logo existo
2. O teu corpo é um campo de batalha
3. Tu não és tu própria/ próprio
4. Nós não precisamos doutro herói
5. Imagem de parte de uma instalação
6. Pró-vida para os por nascer/ Pró-morte para os nascidos
Mais sobre B.K. aqui
E se ficaram curiosos/curiosas, nada como ir a Serralves ("Anos 80: uma tipologia", onde encontrarão uma obra de Kruger e de outras artistas que aqui vamos mostrar, bem como na exposição que está na biblioteca da fundação: "Corpo como utensílio").
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1/08/2007
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Marcador: Arte feita pelas mulheres, Barbara Kruger
quinta-feira, janeiro 4
Série: Arte feita pelas mulheres
A actualidade de há 18 anos é também, ainda que atenuada, a actualidade de hoje. (já tínhamos avisado quanto à redundância!)
E para que o papel da mulher na arte não se apague num corpo objecto; para que não seja mero espelho de uma visão masculina - nua de pluridimensionalidade; para que a mulher (o seu mundo) possa ser matéria de si mesma e, assim, menos falsificada e espartilhada, há que retirá-la da tela – convocando-a - e destacar-lhe o lugar de criadora.
Eis o motivo da série de posts que agora se anuncia.
Fica, portanto, a promessa de, muito simplesmente, mostrar em posts futuros mulheres que se distinguiram na arte do séc. XX e XXI.
… até lá, deixemos a promessa suspensa – como um post que abruptamente acaba numa imagem - na arte deste grupo de artistas anónimo.

Outros posters, das Guerrilla Girls, podem ser vistos aqui.
E aproveitem para cuscar todo o site!
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cuscavel
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1/04/2007
1 cusquices
Marcador: Arte feita pelas mulheres
sábado, dezembro 23
Sim. Razões para votar:
Estás a dar-lhes ( e a ti – não acontece só aos outros) a oportunidade de tomarem, por si próprias, a decisão. Sem represálias.
2. Ao votar sim não estás a liberalizar o aborto.
Estás apenas a permitir que uma mulher que aborte, até às 10 semanas de gestação do feto, não corra o risco de ser punida pelo estado – despenalizar (tirar a penalização a).
3. Ao votar sim não estás a matar.
Poderás, antes, estar a salvar vidas – sabias que são mais de 60.000 as mulheres que morrem, por ano, aquando de abortos clandestinos?
Estarás a dar a oportunidade de se interromper a gravidez com segurança – física e psicológica.
4. Ao votar não, não estarás a impedir o aborto. Ele não deixará de existir.
Quem tem dinheiro continuará a socorrer-se do país vizinho. Quem não tem, continuará a abortar clandestinamente.
5. Ao votar sim não estás a dizer que o aborto passará a ser um meio anticonceptivo.
Haverá alguém a dizer “vamos lá dar uma queca sem preservativo que depois faço um aborto”?
Se alguém pondera abortar é porque a gravidez não foi desejada, mas um acidente.
Lembras-te da vez que o preservativo furou?
Lembras-te daquele dia em que te esqueceste de tomar a pílula?
Nesses momentos de azar, se não engravidaste, tiveste sorte. Se não tiveste de colocar a tua vida numa balança para pesar decisões, tiveste sorte.
Outras não têm essa sorte. Não lhes acrescentes outros azares como terem de se sentir (por vezes já o sentem) como criminosas, escondendo-se do “estado” e correndo o risco de morrer.
6. Ao votar sim, estás a permitir que cada mulher decida por si. Que decida sobre o seu corpo. Sobre a sua vida.
Estás a permitir que se decida. Como tu agora tens a possibilidade de decidir como votarás.
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12/23/2006
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Marcador: 11 de Fevereiro: vota sim, Direitos Sexuais e Reprodutivos
segunda-feira, dezembro 11
Mulheres contra mulheres? *
Elas não gostam de trabalhar com elas para não terem sombra.
Eles preferem conviver com eles porque são da malta.
Elas não podem passar sem outras elas; de quem falar mal?
As relações entre eles estabelecem-se naturalmente.
Entre elas as relações são mais difíceis, sendo, frequentemente, caracterizadas como triviais, pouco sinceras, competitivas e com doses de malvadez.
Quais os culpados de tão celebrado estereótipo?
Dividir para Reinar
No que ao papel do homem diz respeito, digamos apenas que este seguiu com afinco – e êxito - a máxima “dividir para reinar”. É que para manter o poder, a ordem masculina precisava impedir que as mulheres se reunissem e formassem alianças; já que quando as relações femininas não são sólidas, as mulheres ficam mais expostas à exploração do homem.
E dividir não foi difícil: bastou encerrá-las na esfera doméstica. Mergulhadas nos círculos repetitivos do quotidiano, as suas conversas giravam em torno dos filhos, da casa, do marido… não tendo como se desenvolver socialmente.
Uma outra chave para manter as mulheres divididas foi levá-las a interiorizar que quando uma mulher conquistava um lugar no mundo (que vinha do reconhecimento e aceitação por parte do homem), outra era excluída. E se só havia espaço para uma…. já se sabe “contra” quem tinham de lutar. Para além disso - há estudos que o indicam – os oprimidos são especialistas em hostilidades para com pessoas vulneráveis como elas. Revoltadas mas impotentes face aos opressores, voltam-se para os seus semelhantes oprimidos. Como se fosse a única catarse possível.
Mas não nos detenhamos no papel do homem.
Reino de Divididas
Se aquilo que até agora foi dito se mantém nos dias de hoje não será somente responsável o homem. O patriarcado** não teria podido manter-se ao longo de milhares de anos sem a cumplicidade das próprias mulheres. É, por isso, importante tomarmos consciência do papel que desempenhamos na manutenção da dominação masculina.
A verdade é que persistimos no erro de considerar que o valor de uma mulher implica a desvalorização de outra mulher. Quando sentimos que uma mulher é aceite e valorizada por um homem, tendemos a enumerar-lhe uma série de defeitos.
Quantas de nós se sentiram ameaçadas quando percebíamos que o grupo de amigos se começava a alargar a outras mulheres? Daí as críticas mordazes às novas figuras femininas que começam a frequentar o NOSSO café.
Quantas de nós caímos na tentação de dizer, perante uma mulher bonita, que era fútil porque cuidava da aparência? Ou que é bonita somente por fora?
Unir para Reinar
Por isso, a verdadeira alavanca da mudança somos nós mesmas, mesmo por quem diz não sentir a descriminação (eu também o dizia há bem pouco tempo), porque basta pensar como seria ser homem por um dia para descobrir as diferenças.
E isto é igualmente válido para as feministas, já que acabam por ser também misóginas (hostilidade face à mulher) para com as que cedem à dominação masculina…
Não reforcemos a inferioridade, que nos atribuíram, com as nossas inseguranças. Deixemos as comparações, as depreciações, a criação de incertezas nas outras mulheres, as avaliações constantes;
Não tenhamos medo de dizer o quanto aquela mulher é inteligente, honesta, divertida, bonita, leal… Saibamos admirar uma mulher!
Saibamos ser essa mulher.
Sem REIno
Saibamos não temer a luminosidade das rainhas singulares para deixarmos, enfim, a sombra do REInado.
Saibamos ser a singular que abdica do choque com outras singulares em proveito de um plural.
Saberemos?
* Título surripiado ao livro de Carmen Alborch
** Patriarcado: forma de organização política, religiosa, económica e social baseada na autoridade e liderança homem; sistema em que predomina o domínio do homem sobre a mulher
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cuscavel
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12/11/2006
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cusquices
Marcador: Mulheres contra Mulheres









