segunda-feira, agosto 25

Quem canta (ou peca) consente (12)


"I Kissed a Girl"
Katy Perry

Este é um quem canta consente extra-ordinário. Mai do que a música, valem os comentários da mãe da cantora. Diz ela: "Detesto a canção. Claramente promove a homossexualidade usando uma mensagem indecente e grosseira. A Katy sabe como me sinto. Somos uma família muito aberta no diálogo e ela sabe o desapontados que eu e o pai estamos. Nem consigo ouvi-la. A primeira vez que a escutei fiquei em choque. Quando passa na rádio eu baixo-me e rezo". Oremos, então, irmãs!

8 comentários:

Beatrix Kiddo disse...

O que a mamã não disse (e que deveria dizer) é que a musiquinha não vale nenhum, que é comercialóide e imbecil. A única sexualidade promovida, aqui, é a velha fantasia masculina - que ajudar a vender CDs e a encher a mesa do pequeno almoço da virtuosa família de tementes a dEUS!

cuscavel disse...

Cara beatrix, ver-se nesta letra, imediata, exclusiva e taxativamente a promoção de uma fantasia masculina não é senão reforço de uma mesma heteronorma que pretende denunciar. Não excluindo a hipótese de o lesbianismo ser engodo para a venda, ver unicamente essa possibilidade cai naquilo que pretende contrariar: sistema que não concebe relações que não as heterossexuais.

Paulie Gualtieri disse...

Eu concordo com a Beatrix. Não se trata de ver taxativamente uma fantasia masculina, mas apenas de não ver convictamente a afirmação do contrário. A música não faz senão reproduzir um modelo repetido há décadas pela MTV - sem diferença e, como tal, sem as diferenças. É que convém manter o estado das coisas, ou o lucro (único objectivo, neste caso) esvai-se... Não é assim?

cuscavel disse...

Paulie S(p)lash, a afirmação convicta do contrário não é sequer aqui falada; a sua insinuação, o seu não silenciamento e a sua colocação como hipótese, sim. A que me refiro é, claramente, à exclusão da possibilidade da letra se referir efectivamente a uma experiência da cantora. Não conceber essa hipótese é, para mim, um pensamento heterocentrado.

James Hetfield disse...

Coloquemos, então, a hipótese: a música remete-nos a uma experiência pessoal da cantora. Já sou muito menos heterocentrado; já estou muito mais aliviado na minha consciência democrática e no meu espírito inclusivo - os comentários anteriores, porém, permanecem sem refutação. Colocar a hipótese do realismo da música é totalmente irrelevante!

cuscavel disse...

Meu caro James, quer que refute o quê? Que o lesbianismo é usado como força orgásmica para os homens e não para as mulheres? Que é usado para estimular e corresponder a fantasias masculinas e não de lésbicas? Quer que refute que a música é uma merda? Quer que refute a lógica comercial da indústria discográfica? Não sei se me quer fazer passar por ingénua ou burra -desculpando a sua própria burrice na leitura dos meus comentários - mas é mais que ó-b-v-i-o que não vou refutar isso, nem em algum momento o quis ou tentei fazer. A ver se nos entendemos: à questão "a letra é promoção de uma fantasia masculina?" eu respondo PODE SER; o James responde SÓ PODE SER e é com isso que não concordo porque não concebe que a cantora possa ter essa experiência e a relate numa música. Vale?

LR disse...

Cuscavel, sua querida, é nestas ocasiões que dou graças aos deuses por v.exa. ser uma víbora virtual ;-)... tais os preparos com que desanca os seus comentadores.
Essa cantiguinha 'tá há semanas no i-pod de madonna, segundo a própria, e no tops britânicos. Logo, só pode ser fácil. Só que, realmente, a provocação da moça - que só por pudor não digo quem me fez logo lembrar :)) - tem montes de piada!
Mas não conte comigo para as orações, cuscavel;)

cuscavel disse...

Dispenso-a das orações se, acto de contrição, perder o pudor e disser quem lhe parece a moçoila. Nem que seja por mail. Já sabe o caminho ;)